sexta-feira, 1 de abril de 2016

Vistos e Revistos em 2016 #março

Amigos leitores,

Abril chega com a promessa de um pleno restabelecimento da proatividade do nosso Blog! Há muito tempo não fazemos atualizações e estamos em débito com a nossa rotina editorial e com quem sempre vem nos acompanhando. (Embora não pretenda fazer nenhum juramento) aguardem com paciência as novidades para a segunda metade de um mês que começou relativamente atabalhoado e difícil; assim como março, que voou de maneira acachapante!

Entretanto, esse angustioso período foi amenizado por alguns dias de bons filmes e agradáveis sessões! Contabilizando, somam-se à lista mais 37 títulos vistos ou revistos em 2016, número suficientemente favorável para continuar ampliando o grande objetivo de manter a média anual superior a 1 filme assistido por dia.

Embora o texto de hoje tenha sido extremamente corrido, não posso deixar de ressaltar (mais uma vez) que recomendo todos os filmes aos quais assisto! E a ladainha continua a mesma: cada um deles, por pior que seja, tem direito a pelo menos uma indicação, simplesmente pela proposta à experiência da degustação cinematográfica. Uma vez ou outra (no caso, quase sempre) o que agrada aos olhos de um pode não agradar aos olhos de todos os outros.

Dessa forma, encerro por aqui compartilhando (e também indicando!) todos os 113 filmes já apreciados pela nossa equipe em 2016:

001 - Acorrentados (The Defiant Ones, Estados Unidos, 1958)

002 - Adeus à Linguagem (Adieu au Langage, Suíça | França, 2014)

003 - Alive Inside (Alive Inside, Estados Unidos, 2014)

004 - Alma no Lodo (Little Caesar, Estados Unidos, 1931)

005 - Alma no Olho (Alma no Olho, Brasil, 1974)

006 - Amy (Amy, Reino Unido | Estados Unidos, 2015)

007 - Araca - O Samba em Pessoa (Araca - O Samba em Pessoa, Brasil, 2014)

008 - Arpoador (Arpoador, Brasil, 2014)

009 - Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans, Estados Unidos, 1927)

010 - Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, Estados Unidos, 2016)

011 - Black Mama, White Mama (Black Mama, White Mama, Estados Unidos | Filipinas, 1973)

012 - Blácula, o Vampiro Negro (Blacula, Estados Unidos, 1972)

013 - Boi Neon (Boi Neon, Brasil | Uruguai | Holanda, 2015)

014 - Boxe por Amor (Battling Butler, Estados Unidos, 1926)

015 - Brooklyn (Brooklyn, Irlanda | Reino Unido | Canadá, 2015)

016 - Caixa de Pandora, A (Die Büchse der Pandora, Alemanha, 1929)

017 - Campeão, O (The Champ, Estados Unidos, 1931)

018 - Campeão, O (The Champ, Estados Unidos, 1979)

019 - Campeão de Boxe (The Champion, Estados Unidos, 1915)

020 - Carol (Carol, Reino Unido | Estados Unidos, 2015)

021 - Cartel Land (Cartel Land, México | Estados Unidos, 2015)

022 - Castelo Vogelöd, O (Schloß Vogelöd, Alemanha, 1921)

023 - Chefão de Nova York, O (Black Caesar, Estados Unidos, 1973)

024 - Cidadão Kane (Citizen Kane, Estados Unidos, 1941)

025 - Cidade das Ilusões (Fat City, Estados Unidos, 1972)

026 - Cinco Graças (Mustang, França | Alemanha | Turquia | Catar, 2015)

027 - Cleopatra Jones (Cleopatra Jones, Estados Unidos, 1973)

028 - Como Vai Você? (Comment ça Va?, França, 1978)

029 - Compasso de Espera (Compasso de Espera, Brasil, 1973)

030 - Congresso Futurista, O (The Congress, Israel | Alemanha | Polônia | Luxemburgo | Bélgica | França, 2013)

031 - Corpo e Alma (Body and Soul, Estados Unidos, 1947)

032 - Creed: Nascido para Lutar (Creed, Estados Unidos, 2015)

033 - Desi (Desi, Holanda, 2000)

034 - Diário de Novas Lembranças (Diário de Novas Lembranças, Brasil, 2014)

035 - E.T.ílico (E.T.ílico, Brasil, 2014)

036 - Em Busca do Ouro (The Gold Rush, Estados Unidos, 1925)

037 - Esculacho (Esculacho, Brasil, 2013)

038 - Eu, um Negro (Moi, un Noir, França, 1958)

039 - Ex-Machina: Instinto Artificial (Ex Machina, Reino Unido, 2015)

040 - Filme sobre um Bom Fim (Filme sobre um Bom Fim, Brasil, 2015)

041 - Gabinete do Doutor Caligari, O (Das Cabinet des Dr. Caligari, Alemanha, 1920)

042 - Garota Dinamarquesa, A (The Danish Girl, Reino Unido | Estados Unidos | Bélgica | Dinamarca | Alemanha, 2015)

043 - Graça (Graça, Brasil, 2014)

044 - Grande Aposta, A (The Big Short, Estados Unidos, 2015)

045 - Grande Golpe de Shaft, O (Shaft’s Big Score!, Estados Unidos, 1972)

046 - Grilhões do Passado (Mr. Arkadin, França | Espanha | Suíça, 1955)

047 - Gritos de Blácula, Os (Scream, Blacula, Scream, Estados Unidos, 1973)

048 - Guida (Guida, Brasil, 2015)

049 - História(s) do Cinema (Histoire(s) du Cinéma, França | Suíça, 1988 - 1998)

050 - Homeboy - Chance de Vencer (Homeboy, Estados Unidos, 1988)

051 - Homem Irracional, O (Irrational Man, Estados Unidos, 2015)

052 - Ídolo do Público, O (Gentleman Jim, Estados Unidos, 1942)

053 - Inferno no Harlem (Hell up in Harlem, Estados Unidos, 1973)

054 - Invencível, O (Champion, Estados Unidos, 1949)

055 - Labirinto de Paixões (Laberinto de Pasiones, Espanha, 1982)

056 - Lutador, O (The Boxer, Estados Unidos | Irlanda, 1997)


058 - Máfia Nunca Perdoa, A (Across 110th Street, Estados Unidos, 1972)

059 - Marcado pela Sarjeta (Somebody up There Likes Me, Estados Unidos, 1956)

060 - Matador (Matador, Espanha, 1986)

061 - Mater Dolorosa (Mater Dolorosa, Brasil, 2014)

062 - Maus Hábitos (Entre Tinieblas, Espanha, 1983)

063 - Menina de Ouro (Million Dollar Baby, Estados Unidos, 2004)

064 - Menino e o Mundo, O (O Menino e o Mundo, Brasil, 2013)

065 - Miudinho (Miudinho, Brasil, 2013)

066 - Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios, Espanha, 1988)

067 - Noites de Cabíria (Le Notti di Cabiria, Itália | França, 1957)

068 - Nosferatu, uma Sinfonia do Horror (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, Alemanha, 1922)

069 - Nosferatu: O Vampiro da Noite (Nosferatu: Phantom der Nacht, Alemanha Ocidental | França, 1979)

070 - Numa Escola de Havana (Conducta, Cuba, 2014)

071 - Oito Odiados, Os (The Hateful Eight, Estados Unidos, 2015)

072 - Orestes (Orestes, Brasil, 2015)

073 - Paixão (Passion, França | Suíça, 1982)

074 - Palhaço, O (O Palhaço, Brasil, 2011)

075 - Pão Nosso de Cada Dia, O (City Girl, Estados Unidos, 1930)

076 - Peso do Silêncio, O (The Look of Silence, Dinamarca | Indonésia | Finlândia | Noruega | Reino Unido | Israel | França | Estados Unidos | Alemanha | Holanda, 2014)

077 - Ponte dos Espiões (Bridge of Spies, Estados Unidos | Alemanha | Índia, 2015)

078 - Punhos de Campeão (The Set-Up, Estados Unidos, 1949)

079 - Quando Éramos Reis (When We Were Kings, Estados Unidos, 1996)

080 - 45 Anos (45 Years, Reino Unido, 2015)

081 - Quarto de Jack, O (Room, Irlanda | Canadá, 2015)

082 - Quero ser Grande (Big, Estados Unidos, 1988)

083 - Regresso, O (The Revenant, Estados Unidos, 2015)

084 - Ringue, O (The Ring, Reino Unido, 1927)

085 - Rocky - Um Lutador (Rocky, Estados Unidos, 1976)

086 - Rocky II: A Revanche (Rocky II, Estados Unidos, 1979)

087 - Rocky III: O Desafio Supremo (Rocky III, Estados Unidos, 1982)

088 - Rocky IV (Rocky IV, Estados Unidos, 1985)

089 - Rocky V (Rocky V, Estados Unidos, 1990)

090 - Rocky VI (Rocky VI, Finlândia, 1986)

091 - Rocky Balboa (Rocky Balboa, Estados Unidos, 2006)

092 - S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço (Spaceballs, Estados Unidos, 1987)

093 - Sanjuro (Tsubaki Sanjûrô, Japão, 1962)

094 - Shaft (Shaft, Estados Unidos, 1971)

095 - Shaft na África (Shaft in Africa, Estados Unidos, 1973)

096 - Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight, Estados Unidos, 2015)

097 - Steve Jobs (Steve Jobs, Estados Unidos | Reino Unido, 2015)

098 - Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton, Estados Unidos, 2015)

099 - Sweet Sweetback’s Baadasssss Song (Sweet Sweetback’s Baadasssss Song, Estados Unidos, 1971)

100 - Terra em Chamas (Der Brennende Acker, Alemanha, 1922)

101 - Terrível Mister T, O (Trouble Man, Estados Unidos, 1972)

102 - Theeb - O Lobo do Deserto (Theeb, Emirados Árabes Unidos | Catar | Jordânia | Reino Unido, 2014)

103 - Toda Nudez Será Castigada (Toda Nudez Será Castigada, Brasil, 1973)

104 - Touro Indomável (Raging Bull, Estados Unidos, 1980)

105 - Três Desastres, Os (Les Trois Desastres, França | Portugal, 2013)

106 - Trumbo - Lista Negra (Trumbo, Estados Unidos, 2015)

107 - Última Gargalhada, A (Der Letzte Mann, Alemanha, 1924)

108 - Vencedor, O (The Fighter, Estados Unidos, 2010)

109 - Vladimir e Rosa (Vladimir et Rosa, França | Alemanha Ocidental, 1971)

110 - What Happened, Miss Simone? (What Happened, Miss Simone?, Estados Unidos, 2015)

111 - Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom (Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom, Reino Unido | Ucrânia | Estados Unidos, 2015)

112 - Wolfpack, The (The Wolfpack, Estados Unidos, 2015)

113 - Ziggy Stardust and The Spiders from Mars (Ziggy Stardust and The Spiders from Mars, Reino Unido, 1973)

* "City Lights" (1931) de Charles Chaplin - Charles Chaplin Productions [us]

terça-feira, 1 de março de 2016

Vistos e Revistos em 2016 #fevereiro

Mês menor, aproveitamento maior! Resultado: média lá no alto! E foi devido à uma grande contribuição...

“Assim como Glória Pires”, fui impulsionado pelo desejo de correr contra o tempo e tentar assistir a todos os filmes concorrentes do Oscar deste ano até minutos antes da cerimônia, mantive uma rotina acelerada e, até certo ponto, viciante. Ainda espero ser capaz de opinar sobre alguns deles ao longo deste ano (que como todos sabem, anda um tanto quanto corrido!). E se ainda quiserem conferir como foram os meus palpites sobre a festa ocorrida no último domingo, é só clicar AQUI!

Voltando à lista, dos 30 títulos vistos ou revistos em janeiro, pulei para os 46 em fevereiro; quantidade suficientemente boa para alcançar e tentar manter a média superior a 1 filme assistido por dia; uma meta que pretendo bater novamente em 2016!

Lembro sempre que indico todos os filmes aos quais assisto! Cada um deles, por pior que seja, tem direito a uma indicação, simplesmente pela proposta à experiência da degustação cinematográfica. Uma vez ou outra (no caso, quase sempre) o que agrada aos olhos de um pode não agradar aos olhos de todos os outros.

Então, compartilho agora todos os 76 filmes já apreciados em 2016:

001 - Acorrentados (The Defiant Ones, Estados Unidos, 1958)

002 - Adeus à Linguagem (Adieu au Langage, Suíça | França, 2014)

003 - Alma no Lodo (Little Caesar, Estados Unidos, 1931)

004 - Amy (Amy, Reino Unido | Estados Unidos, 2015)

005 - Araca - O Samba em Pessoa (Araca - O Samba em Pessoa, Brasil, 2014)

006 - Arpoador (Arpoador, Brasil, 2014)

007 - Black Mama, White Mama (Black Mama, White Mama, Estados Unidos | Filipinas, 1973)

008 - Blácula, o Vampiro Negro (Blacula, Estados Unidos, 1972)

009 - Boi Neon (Boi Neon, Brasil | Uruguai | Holanda, 2015)

010 - Brooklyn (Brooklyn, Irlanda | Reino Unido | Canadá, 2015)

011 - Carol (Carol, Reino Unido | Estados Unidos, 2015)

012 - Cartel Land (Cartel Land, México | Estados Unidos, 2015)

013 - Chefão de Nova York, O (Black Caesar, Estados Unidos, 1973)

014 - Cidadão Kane (Citizen Kane, Estados Unidos, 1941)

015 - Cinco Graças (Mustang, França | Alemanha | Turquia | Catar, 2015)

016 - Cleopatra Jones (Cleopatra Jones, Estados Unidos, 1973)

017 - Como Vai Você? (Comment ça Va?, França, 1978)

018 - Congresso Futurista, O (The Congress, Israel | Alemanha | Polônia | Luxemburgo | Bélgica | França, 2013)

019 - Creed: Nascido para Lutar (Creed, Estados Unidos, 2015)

020 - Desi (Desi, Holanda, 2000)

021 - Diário de Novas Lembranças (Diário de Novas Lembranças, Brasil, 2014)

022 - E.T.ílico (E.T.ílico, Brasil, 2014)

023 - Esculacho (Esculacho, Brasil, 2013)

024 - Ex-Machina: Instinto Artificial (Ex Machina, Reino Unido, 2015)

025 - Filme sobre um Bom Fim (Filme sobre um Bom Fim, Brasil, 2015)

026 - Garota Dinamarquesa, A (The Danish Girl, Reino Unido | Estados Unidos | Bélgica | Dinamarca | Alemanha, 2015)

027 - Graça (Graça, Brasil, 2014)

028 - Grande Aposta, A (The Big Short, Estados Unidos, 2015)

029 - Grande Golpe de Shaft, O (Shaft’s Big Score!, Estados Unidos, 1972)

030 - Grilhões do Passado (Mr. Arkadin, França | Espanha | Suíça, 1955)

031 - Gritos de Blácula, Os (Scream, Blacula, Scream, Estados Unidos, 1973)

032 - Guida (Guida, Brasil, 2015)

033 - História(s) do Cinema (Histoire(s) du Cinéma, França | Suíça, 1988 - 1998)

034 - Inferno no Harlem (Hell up in Harlem, Estados Unidos, 1973)

035 - Máfia Nunca Perdoa, A (Across 110th Street, Estados Unidos, 1972)

036 - Mater Dolorosa (Mater Dolorosa, Brasil, 2014)

037 - Menino e o Mundo, O (O Menino e o Mundo, Brasil, 2013)

038 - Miudinho (Miudinho, Brasil, 2013)

039 - Nosferatu, uma Sinfonia do Horror (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, Alemanha, 1922)

040 - Nosferatu: O Vampiro da Noite (Nosferatu: Phantom der Nacht, Alemanha Ocidental | França, 1979)

041 - Numa Escola de Havana (Conducta, Cuba, 2014)

042 - Oito Odiados, Os (The Hateful Eight, Estados Unidos, 2015)

043 - Orestes (Orestes, Brasil, 2015)

044 - Paixão (Passion, França | Suíça, 1982)

045 - Palhaço, O (O Palhaço, Brasil, 2011)

046 - Peso do Silêncio, O (The Look of Silence, Dinamarca | Indonésia | Finlândia | Noruega | Reino Unido | Israel | França | Estados Unidos | Alemanha | Holanda, 2014)

047 - Ponte dos Espiões (Bridge of Spies, Estados Unidos | Alemanha | Índia, 2015)

048 - 45 Anos (45 Years, Reino Unido, 2015)

049 - Quarto de Jack, O (Room, Irlanda | Canadá, 2015)

050 - Quero ser Grande (Big, Estados Unidos, 1988)

051 - Regresso, O (The Revenant, Estados Unidos, 2015)

052 - Rocky - Um Lutador (Rocky, Estados Unidos, 1976)

053 - Rocky II: A Revanche (Rocky II, Estados Unidos, 1979)

054 - Rocky III: O Desafio Supremo (Rocky III, Estados Unidos, 1982)

055 - Rocky IV (Rocky IV, Estados Unidos, 1985)

056 - Rocky V (Rocky V, Estados Unidos, 1990)

057 - Rocky VI (Rocky VI, Finlândia, 1986)

058 - Rocky Balboa (Rocky Balboa, Estados Unidos, 2006)

059 - S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço (Spaceballs, Estados Unidos, 1987)

060 - Sanjuro (Tsubaki Sanjûrô, Japão, 1962)

061 - Shaft (Shaft, Estados Unidos, 1971)

062 - Shaft na África (Shaft in Africa, Estados Unidos, 1973)


064 - Steve Jobs (Steve Jobs, Estados Unidos | Reino Unido, 2015)

065 - Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton, Estados Unidos, 2015)

066 - Sweet Sweetback’s Baadasssss Song (Sweet Sweetback’s Baadasssss Song, Estados Unidos, 1971)

067 - Terra em Chamas (Der Brennende Acker, Alemanha, 1922)

068 - Terrível Mister T, O (Trouble Man, Estados Unidos, 1972)

069 - Theeb - O Lobo do Deserto (Theeb, Emirados Árabes Unidos | Catar | Jordânia | Reino Unido, 2014)

070 - Três Desastres, Os (Les Trois Desastres, França | Portugal, 2013)

071 - Trumbo - Lista Negra (Trumbo, Estados Unidos, 2015)

072 - Vladimir e Rosa (Vladimir et Rosa, França | Alemanha Ocidental, 1971)

073 - What Happened, Miss Simone? (What Happened, Miss Simone?, Estados Unidos, 2015)

074 - Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom (Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom, Reino Unido | Ucrânia | Estados Unidos, 2015)

075 - Wolfpack, The (The Wolfpack, Estados Unidos, 2015)

076 - Ziggy Stardust and The Spiders from Mars (Ziggy Stardust and The Spiders from Mars, Reino Unido, 1973)


"Spotlight" (2015) de Tom McCarthy - Anonymous Content [us]
First Look Media [us] | Participant Media [us] | Rocklin / Faust [us]

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Oscar 2016 | Palpites e Torcida

Para aqueles que acompanham com frequência as atualizações do Rotina Cinemeira, é notória a escassez ou a falta de novas publicações sobre os mais variados assuntos relacionados à sétima arte, sobretudo se comparadas ao ritmo de atividades que tínhamos no ano passado. Particularmente, 2016 caminha de maneira indesejavelmente acelerada; o que acaba interferindo diretamente na dedicação plena que este espaço (de fato!) mereceria, tanto por sua natureza informativa quanto por sua faculdade interativa. Resumindo: atualizaremos esporadicamente e manteremos a fidelidade e o zelo ao canal, sempre contando com o apoio dos leitores até que todas as dificuldades sejam superadas e até que caminhemos para a retomada aos eixos.

Entretanto, só sobra animação quando jogamos os desabafos para escanteio. Afinal, os percalços não foram capazes de impedir que chegássemos muito bem preparados para opinar sobre os filmes concorrentes ao Oscar, que tem a sua cerimônia marcada para esta noite. Nitidamente oportuno em relação ao momento, o texto que decorrerá é extremamente canastrão, praticamente uma cópia do que tínhamos escrito no ano passado, mas o que mais vale aqui é apresentar a lista com as nossas apostas e torcidas para mais uma edição da “principal” premiação do cinema no ano; na verdade, a Principal premiação da indústria cinematográfica mundial; e aquela que sela o ciclo de mais uma safra de excelentes filmes.

Definir o grande favorito deste é ano é uma tarefa muito difícil. Enquanto em 2015 "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" e "Boyhood: Da Infância à Juventude" travavam cabeça a cabeça uma disputa ferrenha e “bilateralizada” pelas estatuetas, em 2016 foi possível receber um leque maior de preferências para possíveis eleitos; uma lista heterogênea de singulares produções que tiveram, cada uma a seu tempo, um grande momento na curta temporada de premiações. “O Regresso” faturou o Globo de Ouro e o BAFTA Awards (dois dos eventos mais importantes e respeitados do Cinema); “A Grande Aposta” garantiu o prêmio do Sindicato dos Produtores (que há muito vem caminhando em consonância com as definições da Academia para eleger o melhor filme); e “Spotlight: Segredos Revelados”, que vinha perdendo mais fôlego entre os três principais favoritos, voltou a ganhar visibilidade após vencer, na última semana, o Spirit Awards, o “Oscar do Cinema Independente”.

Diante desse enigmático cenário e sem a mínima vontade de tentar dar um tiro no escuro, vamos nos restringir apenas ao destaque das nossas apostas e das nossas mais sinceras torcidas, assim como foi feito no Oscar do ano passado. É importante destacar que, mais uma vez, chegamos ao dia da cerimônia tendo assistido a todos os candidatos da categoria Melhor Filme; e dentre os filmes que concorrem aos principais prêmios da noite (filme, diretor, atores, atrizes e roteiros) só nos restou assistir "Joy: O Nome do Sucesso" de David O. Russell, que concorre a uma estatueta com Jennifer Lawrence na categoria de melhor atriz coadjuvante. Em outro desempenho extremamente feliz, a maior surpresa do ano foi ter conseguido assistir a todos os cinco documentários concorrentes que, por sinal, contam cinco fabulosas histórias!

A cerimônia é logo mais, às 21:30 (horário de Brasília). Até lá é impossível assistir a mais alguma coisa, mas a promessa é que, a partir de amanhã, todas essas "falhas" comecem a ser corrigidas. As grandes faltas foram, inclusive, em categorias muito importantes e que em anos anteriores tivemos a oportunidade de apreciar um número maior de títulos. Tanto em Melhor Filme de Animação quanto em Melhor Filme em Língua Estrangeira que, particularmente, estão entre as nossas categorias favoritas, puderam ser conferidos apenas dois filmes em cada uma delas. Na primeira faltaram (e não poderão deixar de ser conferidos) "Anomalisa", "As Memória de Marnie", e "Shaun: O Carneiro"; enquanto na segunda ficamos em débito com “O Abraço da Serpente”, “O Filho de Saul” e “Guerra”.

O fato é que, carregada de emoção e de uma categoria em particular que promete “derrubar” a Internet esta noite, a cerimônia de entrega do Oscar em 2016 promete!

Agora, sem mais delongas, vamos aos palpites e as inveteradas torcidas para a 88ª Edição do Academy Awards:

FILME

Palpite: "A Grande Aposta" (Brad Pitt, Dede Gardner e Jeremy Kleiner)

Torcida: "O Quarto de Jack" (Ed Guiney)

DIRETOR

Palpite: Alejandro González Iñárritu por "O Regresso"

Torcida: George Miller por "Mad Max: Estrada da Fúria"

"The Big Short" (2015) de Adam McKay - Plan B Entertainment [us] | Regency Enterprises [us]

ATRIZ

Palpite: Brie Larson (Ma) em "O Quarto de Jack"

Torcida: Brie Larson

ATOR

Palpite: Leonardo DiCaprio (Hugh Glass) em "O Regresso"

Torcida: Leonardo DiCaprio

ATRIZ COADJUVANTE

Palpite: Alicia Vikander (Gerda Wegener) em "A Garota Dinamarquesa"

Torcida: Jennifer Jason Leigh (Daisy Domergue) em “Os Oito Odiados”

ATOR COADJUVANTE

Palpite: Sylvester Stallone (Rocky Balboa) em "Creed: Nascido para Lutar"

Torcida: Sylvester Stallone

"Creed" (2015) de Ryan Coogler - Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) [us] | Warner Bros. [us] | Chartoff-Winkler Productions [us]

ROTEIRO ORIGINAL

Palpite: "Spotlight: Segredos Revelados" (Josh Singer e Tom McCarthy)

Torcida: "Divertida Mente" (Pete Docter, Meg LeFauve, Josh Cooley e Ronnie Del Carmen)

ROTEIRO ADAPTADO

Palpite: "A Grande Aposta" (Charles Randolph e Adam McKay)

Torcida: "A Grande Aposta"

DIREÇÃO DE ARTE/DESIGN DE PRODUÇÃO

Palpite: "O Regresso" (Jack Fisk e Hamish Purdy)

Torcida: "Mad Max: Estrada da Fúria" (Colin Gibson e Lisa Thompson)

MONTAGEM/EDIÇÃO

Palpite: "O Regresso" (Stephen Mirrione)

Torcida: "Spotlight: Segredos Revelados" (Tom McArdle)

FOTOGRAFIA

Palpite: "O Regresso" (Emmanuel Lubezki)

Torcida: "O Regresso"

EFEITOS VISUAIS

Palpite: "Mad Max: Estrada da Fúria" (Andrew Jackson, Tom Wood, Dan Oliver e Andy Williams)

Torcida: "Mad Max: Estrada da Fúria"

MIXAGEM DE SOM

Palpite: "Mad Max: Estrada da Fúria" (Chris Jenkins, Gregg Rudloff e Ben Osmo)

Torcida: "Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força" (Andy Nelson, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson)

EDIÇÃO DE SOM

Palpite: "Mad Max: Estrada da Fúria" (Mark A. Mangini e David White)

Torcida: "Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força" (Matthew Wood e David Acord)

CANÇÃO ORIGINAL

Palpite: "Til It Happens to You" (Diane Warren e Lady Gaga) de "The Hunting Ground"

Torcida: "Simple Song #3" (David Lang e Sumi Jo) de "Juventude"

TRILHA SONORA ORIGINAL

Palpite: "Os Oito Odiados" por Ennio Morricone

Torcida: "Os Oito Odiados"

FIGURINO

Palpite: "Mad Max: Estrada da Fúria" (Jenny Beavan)

Torcida: "Mad Max: Estrada da Fúria"

MAQUIAGEM E CABELO

Palpite: "Mad Max: Estrada da Fúria" (Lesley Vanderwalt, Elka Wardega e Damian Martin)

Torcida: "Mad Max: Estrada da Fúria"

"Mad Max: Fury Road" (2015) de George Miller - Warner Bros. [us] | Kennedy Miller Productions [au]
Village Roadshow Pictures [au] | Village Roadshow Pictures [us]

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

Palpite: "O Filho de Saul" (Hungria) de László Nemes

Torcida: "O Abraço da Serpente" (Colômbia) de Ciro Guerra

LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Palpite: "Divertida Mente" de Pete Docter e Ronnie Del Carmen (Pete Docter e Jonas Rivera)

Torcida: "O Menino e o Mundo" de Alê Abreu (Alê Abreu)

CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Palpite: "A História de um Urso" de Gabriel Osorio Vargas (Gabriel Osorio Vargas e Pato Escala Pierart)

Torcida: "A História de um Urso"

CURTA-METRAGEM

Palpite: "Stutterer" de Benjamin Cleary (Benjamin Cleary e Serena Armitage)

Torcida: "Shok" de Jamie Donoughue (Jamie Donoughue)

DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM

Palpite: "Amy" de Asif Kapadia (Asif Kapadia e James Gay-Rees)

Torcida: "Amy"

DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

Palpite: "A Girl in the River: The Price of Forgiveness" de Sharmeen Obaid-Chinoy (Sharmeen Obaid-Chinoy)

Torcida: "Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah" de Adam Benzine (Adam Benzine)

Deixe aqui suas impressões e também os seus palpites ou os seus preferidos.

O Oscar não é AQUELE Festival de Cinema, mas é sempre um bom programa para um domingo à noite uma vez por ano.

Bom divertimento!

"The Revenant" (2015) de Alejandro González Iñárritu - Anonymous Content [us] | Appian Way [us]
Monarchy Enterprises S.a.r.l. | New Regency Pictures [us] | RatPac Entertainment [us]

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vistos e Revistos em 2016 #janeiro

O ano de 2016 tem sido, cinematograficamente falando, um tanto quanto peculiar. Para quem acompanha o Blog do Rotina Cinemeira com frequência, deve ter percebido que o número de postagens está muito reduzido. Janeiro foi um mês reservado para “colocar ordem na casa” para que, num futuro bem próximo, os artigos voltem a ser constantes e ricos em informação e qualidade.

Os poucos textos do mês (três ao todo) foram exclusivamente reservados para a coluna “Memórias”, uma vez que alguns dos ícones e grandes gênios da Sétima Arte que nos deixaram mereceram grandiosas homenagens que não poderiam passar em branco por aqui. O que fez o nosso espaço mais parecer um obituário em janeiro foi, com toda certeza, a falta de tempo. Tempo esse que também foi muito escasso para assistir filmes.

Ao todo foram 30 os vistos e revistos neste primeiro mês, o que faz com que iniciemos o ano em débito com a famosa meta traçada de manter, pelo menos, uma média superior a 1 filme assistido por dia. Em janeiro de 2015, por exemplo, já tinham sido vistos 43. A ideia é ampliar a marca mês a mês, pretendendo conservar e consolidar esse objetivo até o final de 2016. A média até agora é, sem dúvida, muito alta! Mas podemos melhorar...

E embora não estejamos satisfeitos, as sessões de cinema do ano já nos proporcionaram muitas emoções, dentre elas: ter a grande oportunidade de rever todos os filmes da franquia “Rocky” como preparação para “Creed: Nascido para Lutar” (2015); colocar na conta o belíssimo “Boi Neon” (2015) de Gabriel Mascaro, o filme nacional mais aguardado por nós este ano; e já começarmos a assistir alguns outros filmes da chamada “Temporada do Oscar”. Os próximos meses prometem!

Nestas postagens mensais sempre temos o costume de lembrar que indicamos todos os filmes aos quais assistimos! Afinal, por pior que sejam, cada um deles tem direito a pelo menos uma recomendação, simplesmente pela proposta à experiência da degustação cinematográfica. Uma vez ou outra (no caso, quase sempre) o que agrada aos olhos de um pode não agradar aos olhos de todos os outros.

Então, sem mais qualquer tipo de enrolação, confiram os 30 títulos apreciados por nossa equipe em 2016:

001 - Adeus à Linguagem (Adieu au Langage, Suíça | França, 2014)

002 - Boi Neon (Boi Neon, Brasil | Uruguai | Holanda, 2015)

003 - Cinco Graças (Mustang, França | Alemanha | Turquia | Catar, 2015)

004 - Como Vai Você? (Comment ça Va?, França, 1978)

005 - Congresso Futurista, O (The Congress, Israel | Alemanha | Polônia | Luxemburgo | Bélgica | França, 2013)

006 - Creed: Nascido para Lutar (Creed, Estados Unidos, 2015)

007 - Ex-Machina: Instinto Artificial (Ex Machina, Reino Unido, 2015)

008 - História(s) do Cinema (Histoire(s) du Cinéma, França | Suíça, 1988 - 1998)

009 - Numa Escola de Havana (Conducta, Cuba, 2014)

010 - Oito Odiados, Os (The Hateful Eight, Estados Unidos, 2015)

011 - Paixão (Passion, França | Suíça, 1982)

012 - Palhaço, O (O Palhaço, Brasil, 2011)

013 - 45 Anos (45 Years, Reino Unido, 2015)

014 - Quero ser Grande (Big, Estados Unidos, 1988)

015 - Rocky - Um Lutador (Rocky, Estados Unidos, 1976) *

016 - Rocky II: A Revanche (Rocky II, Estados Unidos, 1979)

017 - Rocky III: O Desafio Supremo (Rocky III, Estados Unidos, 1982)

018 - Rocky IV (Rocky IV, Estados Unidos, 1985)

019 - Rocky V (Rocky V, Estados Unidos, 1990)

020 - Rocky VI (Rocky VI, Finlândia, 1986)

021 - Rocky Balboa (Rocky Balboa, Estados Unidos, 2006)

022 - S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço (Spaceballs, Estados Unidos, 1987)

023 - Sanjuro (Tsubaki Sanjûrô, Japão, 1962)

024 - Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight, Estados Unidos, 2015)

025 - Theeb - O Lobo do Deserto (Theeb, Emirados Árabes Unidos | Catar | Jordânia | Reino Unido, 2014)

026 - Três Desastres, Os (Les Trois Desastres, França | Portugal, 2013)

027 - Vladimir e Rosa (Vladimir et Rosa, França | Alemanha Ocidental, 1971)

028 - What Happened, Miss Simone? (What Happened, Miss Simone?, Estados Unidos, 2015)

029 - Wolfpack, The (The Wolfpack, Estados Unidos, 2015)

030 - Ziggy Stardust and The Spiders from Mars (Ziggy Stardust and The Spiders from Mars, Reino Unido, 1973)

"Rocky" (1976) de John G. Avildsen - Chartoff-Winkler Productions [us] | United Artists [us]

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Memórias #19 | Ettore Scola (1931 - 2016)

“Una giornata particolare...” Cineasta italiano de peculiaridades raríssimas, Ettore Scola cumpriu o seu caminho com modesta compostura, nos encantando e nos emocionando em todos os seus filmes. Internado em um hospital de Roma desde o último domingo, o diretor de 84 anos teve a sua morte anunciada no início da noite de ontem e, agora, parte para eternidade.

Com Scola se vai mais uma parte viva e significativa da tradicional Escola de Cinema da Itália, mas é como sempre se fala por aqui: as obras perpetuam as suas entidades e ficam no mundo para serem apreciadas. Herdeiro natural do movimento neorrealista, Ettore Scola realizou trabalhos ímpares que lhe renderam os principais prêmios nos festivais de cinema mais importantes do mundo, dentre eles os César de melhor filme estrangeiro por “Nó que nos Amávamos Tanto” (1974) e por “Um Dia Muito Especial” (1977); o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes por “Feios, Sujos e Malvados” (1976); e o Urso de Prata de melhor diretor por “O Baile” (1983) no Festival de Berlim.

O Cineasta Italino Ettore Scola (1931 - 2016) - Divulgação

Irrefragável, célebre e inesquecível, somam-se à carreira do maestro 41 títulos nas quase cinco décadas em que esteve por trás das câmeras, desde o seu primeiro trabalho “Fala-me de Mulheres” (1964) até o emocionante “Que Estranho Chamar-se Federico” (2013), um singelo tributo de Ettore Scola ao amigo Federico Fellini, um filme-testamento e uma ode ao cinema italiano. Entretanto, a sua relação íntima relação com a Sétima Arte começou a ser construída dez anos antes, quando começou a trabalhar como argumentista.

Scola foi estudante direito em Roma, depois se arriscou no jornalismo e ingressou no rádio. Seu encontro com Fellini se deu, inclusive, neste momento; o que permitiu ao futuro diretor travar ali os seus primeiros conhecimentos com os profissionais do ramo cinematográfico; e também escrever os seus primeiros roteiros a partir do ano de 1953. Dentre os trabalhos mais importantes deste período estão os argumentos de filmes como “Duas Noites com Cleópatra” (1954) de Mario Mattoli, “No Azul Pintado de Azul” (1959) de Piero Tellini, “Fantasmas em Roma” (1961) de Antonio Pietrangeli e “Aquele que Sabe Viver” (1962) de Dino Risi. Este último, particularmente, uma obra-prima!

Quando assumiu a direção de seus próprios textos (ele roteirizou a maioria de seus longas), Scola se manteve fiel aos seus princípios e valores morais e cinegráficos. A experiência na vida acadêmica e o repentino ingresso ao mundo do cinema lhe permitiram criar trabalhos extremamente humanistas e cativantes, mas sem nunca deixar de exprimir um forte idealismo político, severas e precisas críticas sociais, além de uma relação estritamente íntima tanto com a história do seu país, como, por exemplo, em “Casanova e a Revolução” (1982); quanto com a própria história do cinema, como em “Splendor” (1989).

O fato é que o legado é imenso e valoroso, e Ettore Scola é um cineasta que deve ser constantemente redescoberto por todos! Consternados, lamentamos a sua morte. Que descanse em paz... (1931 - 2016)

Dez filmes dirigidos por Ettore Scola que indico (em ordem de predileção):

01 - Feios, Sujos e Malvados (Brutti, Sporchi e Cattivi, Itália, 1976)

02 - O Baile (Le Bal, Itália | França | Argélia, 1983)

03 - A Viagem do Capitão Tornado (Il Viaggio di Capitan Fracassa, França | Itália, 1990)

04 - Nós que nos Amávamos Tanto (C’Eravamo Tanto Amati, Itália, 1974)

05 - Um Dia Muito Especial (Una Giornata Particolare, Itália | Canadá, 1977)

06 - O Jantar (La Cena, Itália | França, 1998)

07 - Splendor (Splendor, Itália | França, 1989)

08 - Casanova e a Revolução (La Nuit de Varennes, França | Itália, 1982)

09 - A Família (La Famiglia, Itália | França, 1987)

10 - O Terraço (La Terrazza, Itália | França, 1980)

"Brutti, Sporchi e Cattivi" (1976) de Ettore Scola - Compagnia Cinematografica Champion [it] | Surf Film [it]

sábado, 16 de janeiro de 2016

Memórias #18 | Franco Citti (1935 - 2016)

Dono de uma expressão distinta, autêntica e profunda, Franco Citti era um dos principais expoentes do movimento cinematográfico pós-neorrealista, aquele que tinha compromisso vital com o benévolo e sofrido existencialismo humano. O ator italiano morreu nesta última quinta-feira (14 de janeiro), aos 80 anos, em Roma.

Citti colaborou com alguns dos maiores cineastas de seu país, dentre eles Bernardo Bertolucci, Elio Petri e Valerio Zurlini; entretanto, era, essencialmente, uma presença constante no universo cinematográfico do diretor e amigo Pier Paolo Pasolini. Inclusive, sua estreia frente às câmeras foi como o cafetão Vittorio Cataldi no clássico “Accattone - Desajuste Social” (1961), considerado um de seus maiores trabalhos.

Franco Citti em "Accattone" (1961) de Pier Paolo Pasolini - Arco Film [it] | Cino del Duca [it]

O proxenetismo de seu primeiro personagem refletia o desvario e a vida “fora dos trilhos” em bairros da periferia romana na época; comunidades que sofriam com os efeitos replicantes de um país devastado pelo regime fascista, mesmo passados anos de sua queda. Assim como nos filmes, tais características recaíram sobre a realidade e marcaram a vida de Franco Citti, que tivera uma infância miserável e uma adolescência problemática. De certa forma, o rompimento parcial com uma complacência social na juventude ajudou muito o ator na composição do personagem de seu segundo filme, o proletário Carmine no excelente “Mamma Roma” (1962), outra obra de Pasolini.

“Accattone” e “Mamma Roma” são, sem dúvida, os seus trabalhos mais expressivos; muito embora nos mesmos moldes (e ainda em 1962), Citti tenha protagonizado um drama esplêndido e praticamente desconhecido do público, “Uma Vida Violenta” de Paolo Heusch e Brunello Rondi. O ator também se arriscou no gênero spaghetti western no filme “Réquiem para Matar” (1967) pouco antes de voltar a trabalhar com Pasolini, como um categórico, intuitivo e incontestável Édipo, protagonista de “Édipo Rei” (1967).

Da ampla e, praticamente, patrimonial cooperação com Pasolini ainda vieram o abrasivo “Pocilga” (1969) e os grandiosos “Decameron” (1971), “Os Contos de Canterbury” (1972) e “As Mil e uma Noites” (1974). Franco Citti ainda ficou conhecido pela tímida, mas emblemática participação em “O Poderoso Chefão - Parte I” (1972); no aclamado longa de Francis Ford Coppola ele deu vida à Calò, o não tão cuidadoso guarda-costas siciliano de Michael Corleone (papel que voltou a interpretar na “Parte III” da Saga).

Rude e ao mesmo tempo naturalista, Citti já não trabalhava há mais de quinze anos, mas, ainda assim, a sua magnética exterioridade e o dom natural para a dramatização se farão presentes enquanto a História do Cinema puder ser contada.

Descanse em paz... (1935 -2016)

Dez filmes com Franco Citti que indico (em ordem de predileção):

01 - O Poderoso Chefão - Parte I (The Godfather, Estados Unidos, 1972) - de Francis Ford Coppola

02 - Accattone - Desajuste Social (Accattone, Itália, 1961) - de Pier Paolo Pasolini

03 - Mamma Roma (Mamma Roma, Itália, 1962) - de Pier Paolo Pasolini

04 - Uma Vida Violenta (Una Vita Violenta, Itália, 1962) - de Paolo Heusch e Brunello Rondi

05 - O Poderoso Chefão - Parte III (The Godfather - Part III, Estados Unidos, 1990) - de Francis Ford Coppola

06 - La Luna (La Luna, Itália | Estados Unidos, 1979) - de Bernardo Bertolucci

07 - Sentado à sua Direita (Seduto alla sua Destra, Itália, 1968) - de Valerio Zurlini

08 - Ostia (Ostia, Itália, 1970) - de Sergio Citti

09 - Juízo Final (Todo Modo, Itália | França, 1976) - de Elio Petri

10 - Réquiem para Matar (Requiescant, Itália | Alemanha Ocidental, 1967) - de Carlo Lizzani

Franco Citti e Al Pacino em "The Godfather" (1972) de Francis Ford Coppola
Paramount Pictures [us] | Alfran Productions [us]

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Memórias #17 | David Bowie (1947 - 2016)

Resumir a carreira de uma lenda em um pequeno artigo de pouco mais de setecentas palavras é um tanto diminuto para demonstrar, neste caso, tudo o que David Bowie representou para um número incontável de fãs que se multiplicaram por todas essas décadas em que ele esteve na ativa. Vítima de uma doença cruel e implacável, o astro camaleônico e símbolo de toda uma geração da música nos deixou no fim da noite deste último domingo, transformando drasticamente o início da semana. Sim, teremos alguns dias tristes pela frente.

Gênio absoluto e dono de uma carreira extraordinariamente impecável, Bowie era mais do que inventivo, original e inovador. Sempre fugindo das obviedades, o “multiartista” se lançou ainda muito jovem e conseguiu construir a sua jornada de maneira sólida, visceral e eclética marcada, sobretudo, por uma extensa bagagem musical dotada de uma propriedade intelectual absurda. Inspiradora e influente, a vida e a obra de David Bowie são umas das mais representativas da cultura pop mundial, capazes de continuarem produzindo por muitos anos os seus efeitos mais atraentes e, ao mesmo tempo, mais desconcertantes; tanto que dentre as tarefas mais difíceis, para qualquer um de nós, está a ousadia canastrona de tentar dizer quais são os seus melhores discos ou as suas melhores músicas. É pouco, mas basta dizer que estarão “sempre entre os melhores de sempre”.

Conhecido por sua versatilidade e pela sua disposição natural para se reinventar, David Bowie também foi bastante provocativo no cinema. Cercado de muitos adjetivos, ele ainda conseguiu caminhar de forma inquietamente ativa por esse voluptuoso terreno da sétima arte e ainda ser considerado um excepcional ator. Os seus personagens densos, impactantes e profundos também serviram como catalisadores para as constantes e abruptas mudanças de sua carreira, no geral. Para demonstrar o quão grande foi a aventura de Bowie frente às câmeras, basta dizer que em seu currículo somam-se parcerias com mestres como David Lynch, John Landis e Nicolas Roeg, com o qual filmou “O Homem que Caiu na Terra” (1976), uma obra-prima da ficção científica dos anos 70.

David Bowie em "The Man who Fell to Earth" (1976) de Nicolas Roeg - British Lion Film Corporation [gb] | Cinema 5

Da colaboração para outros três grandes cineastas, surgiram outros três memoráveis trabalhos: com Tony Scott, veio o ícone cult do universo gótico “Fome de Viver” (1983) que, carregado de esoterismo e misticismo, assume um caráter revisional para os filmes de vampiro a partir do seu lançamento; com Nagisa Ôshima, o violento, vivaz e iconoclasta drama de guerra “Furyo, em Nome da Honra” (1988) que curiosamente é co-estrelado por outro ícone da música, o compositor japonês Ryuichi Sakamoto; e com Martin Scorsese, interpretou Pôncio Pilatos fugindo dos clichês e dando uma faceta excepcionalmente rara à figura do prefeito provinciano da Judeia no genial e humanista “A Última Tentação de Cristo” (1988).

David Bowie também emprestou a sua pele (e a sua alma) para vestir personagens reais, como o legendário artista pop Andy Warhol no longa “Basquiat - Traços de uma Vida” (1996) de Julian Schnabel; e o físico e inventor Nikola Tesla no excepcional “O Grande Truque” (2006) de Christopher Nolan. Houveram ainda aqueles filmes em que Bowie interpretou o próprio Bowie, seja vociferando as canções da sua Trilogia de Berlim (“Low”, “Heroes” e “Lodger”) no não menos esbravejante “Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída” (1981) de Uli Edel; ou com aparições mais espirituosas nas comédias “Zoolander” (2001) de Ben Stiller, e na mais recente “High School Band” (2009) de Todd Graff.

Voltando ao campo da música, só que agora associada ao cinema, é de fundamental importância ressaltar o quanto as canções de David Bowie ecoaram pelas salas de projeção do mundo ao longo de mais de cinquenta anos de sua história profissional. Entre as trilhas sonoras originais, seu nome está creditado em mais de 450 filmes que independem de gênero, país ou ano de produção. O músico ainda esteve à frente das composições para o filme “C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor” (2005) de Jean-Marc Vallée (que conta com uma cena antológica do ator Marc-André Grondin dublando “Space Oddity”); e diretamente envolvido na produção musical de “Labirinto - A Magia do Tempo” (1986) de Jim Henson, filme que Bowie também estrela ao lado de Jennifer Connelly e que ainda nos brinda com sequências de números performáticos inesquecíveis. As canções de Bowie são, sem dúvida, um patrimônio universal! (Bem como as suas valiosas contribuições para o Cinema...)

Para finalizar, declaro que o texto foi escrito embalado pelo álbum “Blackstar”, seu excelente último trabalho que, até esta manhã, ainda era inédito para os meus ouvidos.

Grandiosa maneira de se despedir! Que agora, descanse em paz... (1947 - 2016)

Dez filmes com David Bowie que indico (em ordem de predileção):

01 - O Homem que Caiu na Terra (The Man who Fell to Earth, Reino Unido, 1976) - de Nicolas Roeg

02 - Furyo, em Nome da Honra (Merry Christmas Mr. Lawrence, Reino Unido | Japão | Nova Zelândia, 1983) - de Nagisa Ôshima

03 - A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, Estados Unidos | Canadá, 1988) - de Martin Scorsese

04 - Fome de Viver (The Hunger, Reino Unido | Estados Unidos, 1983) - de Tony Scott

05 - O Grande Truque (The Prestige, Estados Unidos | Reino Unido, 2006) - de Christopher Nolan

06 - Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (Twin Peaks: Fire Walk with Me, França | Estados Unidos, 1992) - de David Lynch

07 - Labirinto - A Magia do Tempo (Labyrinth, Reino Unido | Estados Unidos, 1986) - de Jim Henson

08 - Romance por Interesse (The Linguini Incident, Estados Unidos, 1991) - de Richard Shepard

09 - Basquiat - Traços de uma Vida (Basquiat, Estados Unidos, 1996) - de Julian Schnabel

10 - Apenas um Gigolô (Schöner Gigolo, armer Gigolo, Alemanha Ocidental, 1978) - de David Hemmings

David Bowie em "Merry Christmas Mr. Lawrence" (1983) de Nagisa Ôshima
Recorded Picture Company (RPC) [gb] | National Film Trustees

PS: Iria começar uma revisão de todos os filmes da série “Rocky” para me preparar para “Creed: Nascido para Lutar”, mas a partida de David Bowie me obrigará a rever o documentário “Ziggy Stardust and the Spiders From Mars” (1973) de D. A. Pennebaker. Com toda certeza, o filme vai furar a fila esta noite...

Fica aqui a dica para a sessão de hoje! ;-)