quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Sempre um Clássico #Especial | Filmes que completam 100 anos em 2015

Marcado por retrospectivas, listas de melhores e homenagens, o mês de dezembro sempre desperta a iniciativa de sites e blogs especializados em Cinema em promover e publicar artigos e mais artigos que, periodicamente, fazemos questão de preservar como guias genuínos para auxiliar no nosso aprofundamento em relação à Sétima Arte. Na mais justa realidade, guardamos esses invariáveis artigos e listas até que os próximos saiam no final do ano seguinte.

Entretanto, o compêndio de selecionar alguns filmes para certas ocasiões acaba sendo muito interessante e oportuno; e o que o Rotina Cinemeira propõe fazer agora promete agradar muitas pessoas que perseguem curiosas vários dos títulos relevantes que ajudaram a contar a rica história da cinematografia mundial.

Ao final de 2015, algumas obras alcançarão um patamar ainda maior nessa história: se tornarão filmes centenários! Produtos valiosos que sobreviveram ao desgaste e à destruição (ao contrário de muitos outros negativos do período), ou ao mero ostracismo, e ainda assim continuam sendo constantemente lembrados pelo público. Escolhemos assim, com todo o cuidado, três grandes trabalhos que, definitiva e literalmente, marcaram época desde os seus lançamentos em 1915 e que, a partir de janeiro de 2016, iniciarão mais um capítulo de sua, agora, carreira centenária.

Para compreender e apreciar! Começamos a nossa seleção com o representante mais conhecido do período, constantemente lembrado por estudiosos e cinéfilos como um dos clássicos absolutos da História do Cinema.

O Nascimento de uma Nação (The Birth of a Nation, Estados Unidos, 1915)

Direção: D. W. Griffith

Indiscutivelmente clássico, “O Nascimento de uma Nação” (1915) de D. W. Griffith é o importante registro histórico de um dos períodos mais conturbados do processo de formação dos Estados Unidos da América; um documento de valor inestimável tanto para as definições básicas da arte cinematográfica (que ainda engatinhava) quanto para manter sempre em evidência, aos olhos de qualquer espectador, as raízes violentas e, por vezes, irracionais que firmaram os ideais de um país que, hoje, se enche orgulho pela forma como trata e zela os seus cidadãos.

Constantemente classificado como uma das dez obras mais importantes para o Cinema, sobretudo pela sua altíssima qualidade técnica, “O Nascimento de uma Nação” ainda consegue posicionar o trabalho de Griffith como um dos mais valorizados e, ao mesmo tempo, um dos mais desprezados da história da sétima arte. As polêmicas e as inspirações de reações completamente opostas vêm, sobretudo, da temática que conduz a linha principal do enredo: o claro e evidente teor racista da narrativa, que é baseada no romance explicitamente preconceituoso “The Clansman: An Historical Romance of the Ku Klux Klan” do norte-carolinense Thomas Dixon Jr.

O primeiro épico histórico a invadir as telas (com suas mais de três horas de duração) caminha por diversos pontos da história estadunidense, mostrando como a Guerra de Secessão (1861 - 1865) foi capaz de dividir amigos e destruir famílias, como o caso dos Stoneman e dos Cameron, que têm seus dramas retratados ao longo do filme. Começando com eventos anteriores ao conflito civil, que explicam a introdução da escravidão na América, tanto os Stoneman (nortistas) quanto os Cameron (sulistas) são apresentados de forma concomitante na primeira metade de “O Nascimento de uma Nação”.

À medida que a guerra confrange os desejos esperançosos de nação, tanto os escravos quanto os simpatizantes dos abolicionistas começam a ser vistos como a grande ameaça destrutiva para os Estados Unidos. Passando por vários outros episódios relevantes no processo (como o assassinato de Abraham Lincoln, por exemplo), a segunda metade do longa começa com a “reconstrução” de um país dilacerado, apresentando a ascensão e plena organização da Ku Klux Klan, cujos membros são apontados como muitos dos autênticos e legítimos heróis da Confederação; daí toda a natureza das controvérsias da película.

Contada a partir de uma perspectiva sulista, o retumbante capítulo da “grande vitória” de “O Nascimento de uma Nação” é ideologicamente indefensável. Nem mesmo a história de amor entre Elsie Stoneman (Lillian Gish) e o Coronel Ben Cameron (Henry B. Walthall), utilizada como uma espécie respiro dramático, consegue quebrar a atmosfera perturbadora do filme. O que nos alenta é que um país como os Estados Unidos, que produziu e aprovou (com ressalvas por Woodrow Wilson, o presidente na época) um filme com esse tipo de abordagem para exibição pública, tenha conseguido eleger, em menos de 100 anos da sua estreia, o nome de Barack Obama para assumir a Casa Branca.

Capítulo à parte e fora dos tópicos que devemos sempre lamentar; em termos de inovação artística, linguagem cinematográfica e brilhantismo de produção, “O Nascimento de uma Nação” é uma relíquia que deve ser eternamente preservada.

"The Birth of a Nation" (1915) de D. W. Griffith - David W. Griffith Corp. [us] | Epoch Producing Corporation [us]

Os Vampiros (Les Vampires, França, 1915)

Direção: Louis Feuillade

O caráter imagético e onírico que contorna a misteriosa saga de “Os Vampiros” (1915), do cineasta Louis Feuillade, contribuiu muito para alavancar o Cinema como uma nova forma de expressão artística já em seus primeiros anos de existência. Lançados de maneira espaçada e irregular em salas comerciais da França entre os anos de 1915 e 1916, os rolos deste lendário filme são, na verdade, uma série fragmentada em dez episódios de durações variadas e vagamente interligadas por artifícios surreais que contam as alucinantes e estapafúrdias atividades de uma organização criminosa de Paris. Juntas, as capitulações ultrapassam 400 (proveitosos) minutos em seu corte final, totalizando mais de seis horas e meia de pura habilidade inventiva e plasticidade estética que foram responsáveis, entre outras coisas, por fundar as bases do thriller como cinema de gênero.

Livremente inspirado no folhetim “Os Subterrâneos de Paris”, o filme minucia as desonestas façanhas dessa sociedade secreta que se autodenomina “Os Vampiros”, comandada por quatro mestres do crime urbano que ainda contam com a ajuda da estonteante Irma Vep (interpretada pela sensual e expressiva atriz parisiense Musidora). Todas as extravagâncias da gangue são combatidas com vigorosa ousadia pelo repórter Philippe Guérande (Edouard Mathe) e por seu ajudante Oscar Mazamette (Marcel Lévesque) em um incessante jogo investigativo, onde o próprio Philippe assume o papel do detetive herói que cai em completa desgraça ao se ver preso em uma “teia de aranha” amoral e maniqueísta que deflagra o real valor de suas ações em uma relativa reviravolta na história.

Crítico e sabotador em relação à aparente rigidez ajuizada da burguesia europeia do início do século XX, “Os Vampiros” se engrandece ainda mais pelo fato de ter alcançado o seu refinado tom de deboche buscando inspiração em historietas de almanaques policiais baratos da época, mas que conseguiam flertar da maneira mais íntima possível com a literatura francesa contemporânea e com as narrativas góticas do período medieval, sobretudo as produzidas na Grã-Bretanha. Desconcertante, “Os Vampiros” estará sempre presente na cultura cinematográfica universal, pretendendo derrubar muitos “castelos de cartas” construídos por instabilidades morais que acompanharão gerações e gerações da nossa humanidade.

"Les Vampires" (1915) de Louis Feuillade - Société des Etablissements L. Gaumont [fr]

Regeneration (Regeneration, Estados Unidos, 1915)

Direção: Raoul Walsh

Um pouco menos reconhecido que “Os Vampiros” e não tão célebre quanto o estrondoso “O Nascimento de uma Nação”, mas igualmente importante em valores históricos, também se destaca “Regeneration” (1915) do cineasta nova-iorquino Raoul Walsh. Famoso por dirigir projetos vigorosos como “Heróis Esquecidos” (1939), “Seu Último Refúgio” (1941) e “Fúria Sanguinária” (1949), Walsh conhecia, descrevia e retratava como poucos o submundo do crime que sempre insiste em voltear pelas ruas da “capital do mundo”. Basicamente, o filme conta a história de um órfão que nasceu e foi criado na miséria, mas que encontrou meios nada honestos para subir na vida e, de certa forma, controlar Nova York com as próprias mãos.

A linha principal que segue o garoto pobre em busca da redenção após alcançar o topo do mundo em uma vida ditada pela ambição sempre foi o fio condutor de vários outros roteiros conduzidos por Raoul Walsh, mas aparece em “Regeneration” (seu primeiro longa-metragem) pela primeira vez. Aqui, seguimos Owen (Rockliffe Fellowes), um descendente de imigrantes irlandeses que, ainda na infância, passa por uma série de dificuldades desde o falecimento da mãe. Forçado a viver nas ruas desde os 10 anos de idade, Owen cometia crimes casuais como pequenos furtos e sempre mantinha viva na mente a ideia de que, para sobreviver, alcançar o poder era primordial. Aos 25 anos, o jovem já comandava a sua própria gangue, que passava a maior parte do tempo faturando (e endividando) entre bebidas e jogos de azar. Entretanto, o desentendimento com um dos membros de seu bando e o encontro casual com a professora Marie Deering (Anna Q. Nilsson) acabaram despertando em Owen o desejo de mudar de vida, de regenerar-se.

Esse drama remissivo é baseado no livro autobiográfico “My Mamie Rose” do também nova-iorquino Owen Frawley Kildare, o escritor que cresceu semelhantemente escoriado pelos subúrbios da cidade tendo desde cedo uma vida muito difícil, mas não tão agitada quanto à do Owen da ficção. “Regeneration” saiu das sarjetas, sobretudo, para escancarar a dura realidade das periferias da Nova York do início do século XX, mas também foi o filme responsável por inaugurar um dos subgêneros mais populares do cinema hollywoodiano nas décadas que se seguiram: os filmes de gângsters.

"Regeneration" (1915) de Raoul Walsh - Fox Film Corporation [us]

Também merecem destaque:

- The Italian (The Italian, Estados Unidos, 1915) - de Reginald Barker;

- Fatty’s Tintype Tangle (Fatty’s Tintype Tangle, Estados Unidos, 1915) - de Roscoe ‘Fatty’ Arbuckle;

- Carlitos Marinheiro (Shanghaied, Estados Unidos, 1915) - de Charles Chaplin;

- O Vagabundo (The Tramp, Estados Unidos, 1915) - de Charles Chaplin;

- Enganar e Perdoar (The Cheat, Estados Unidos, 1915) - de Cecil B. DeMille;

- O Golem (Der Golem, Alemanha, 1915) - de Henrik Galeen e Paul Wegener;

- Carmen (Carmen, Estados Unidos, 1915) - de Cecil B. DeMille.

É ISSO! ETERNOS CLÁSSICOS... INCRÍVEIS LEMBRANÇAS!

BOAS SESSÕES!

sábado, 5 de dezembro de 2015

Memórias #16 | Marília Pêra (1943 - 2015)

Palavras complexas como versatilidade e polivalência definiam a singular carreira de Marília Pêra, uma das maiores damas da dramaturgia brasileira. A atriz, que fez história na televisão, no cinema e, sobretudo, no teatro, faleceu na manhã deste sábado, dia 5 de dezembro, aos 72 anos, no Rio de Janeiro. Cantora e dançarina, Marília também atuava como coreógrafa, produtora e diretora de peças e espetáculos musicais. A facilidade em transitar pelos vários ramos da arte permitiu que a atriz construísse personagens fortes e extremamente marcantes.

Íntima dos palcos desde os quatro anos de idade, Marília Pêra participou das primeiras peças de teatro ao lado dos pais (os atores Manuel Pêra e Dinorah Marzullo), que integravam o elenco da famosa Companhia de Henriette Morineau, que chegou a trazer para público carioca, no final da década de 50, as representações de “Medéia” de Eurípedes e o infantil “O Casaco Encantado” de Lúcia Benedetti. Este último, responsável por marcar o debute de Marília Pêra na cena artística. Em pouco mais de 15 anos, a atriz ainda participou de uma dezena de peças, detre eles muitos musicais e teatros de revistas. Até que, enfim, chegou à televisão, protagonizando de cara duas novelas pela Rede Globo no ano de 1965: “A Moreninha”, ao lado de Cláudio Marzo; e “Rosinha do Sobrado”, fazendo par romântico com Gracindo Júnior.

Anos mais tarde, Marília Pêra integrou o elenco do estrondoso sucesso “Beto Rockfeller” (1968), novela protagonizada por Luiz Gustavo e Débora Duarte. Neste mesmo período, a atriz também iniciava a sua grandiosa carreira no cinema, participando da comédia de sátira política “O Homem que Comprou o Mundo” (1968), de um ainda calouro Eduardo Coutinho, diretor com quem ainda rodou, quatro décadas mais tarde, um impactante embate dramatúrgico no documentário “Jogo de Cena” (2007).

A atriz Marília Pêra (1943 - 2015) em "Jogo de Cena" (2007) de Eduardo Coutinho - Matizar [br] | VideoFilmes [br]

Além dos trabalhos com Coutinho, a filmografia de Marília Pêra inclui mais 25 grandes trabalhos, dos quais ela participa de diversas maneiras: seja em pequenas participações, emprestando uma parcela de seu talento para abrilhantar ainda mais filmes como “Anjos da Noite” (1987) de Wilson Barros, “Central do Brasil” (1998) de Walter Salles, e “Garrincha - Estrela Solitária” (2003) de Milton Alencar; ou seja como uma coadjuvante de luxo, roubando a cena em clássicos do cinema nacional como “Pixote: A Lei do mais Fraco” (1981) de Hector Babenco, onde interpreta a prostituta Sueli; e “Tieta do Agreste” (1996) de Carlos Diegues, onde dá vida à icônica vilã Perpétua.

Como protagonista Marília Pêra foi ainda maior! Entre os seus papéis, os mais lembrados pelo público são o da garota de programa Ana, a chave do mistério no drama policial “Ana, a Libertina” (1975) de Alberto Salvá; outra Ana, a Ana boêmia de “Bar Esperança, o Último que Fecha” (1983) de Hugo Carvana (papel que lhe rendeu o Kikito de Ouro de Melhor Atriz no Festival de Gramado do mesmo ano); e Ana Lara, a Ana psicótica e cegamente apaixonada de “O Viajante” (1999) de Paulo César Saraceni (onde foi premiada com o Troféu de Melhor Atriz no Grande Prêmio de Cinema Brasileiro na ocasião). Destacamos ainda todo o virtuosismo de seu último trabalho para o cinema: o papel duplo das irmãs gêmeas Magda e Magali no modesto “Polaróides Urbanas” (2008) do parceiro e amigo Miguel Falbella.

Teatro, música, televisão e cinema... Invadindo a alma e a pele de personagens célebres como Carmen Miranda, Coco Chanel, Dalva de Oliveira, Maria Callas e, até mesmo, a ex-primeira-dama Sarah Kubitschek, as várias facetas de Marília Pêra abarrotaram de carisma palcos, lares e telas de cinema pelo Brasil e pelo mundo. Completa! Assim era Marília...

Descanse em paz... (1943 - 2015)

Dez filmes com Marília Pêra que indico (em ordem de predileção):

01 - Pixote: A Lei do mais Fraco (Pixote: A Lei do mais Fraco, Brasil, 1981) - de Hector Babenco

02 - Jogo de Cena (Jogo de Cena, Brasil, 2007) - de Eduardo Coutinho

03 - O Homem que Comprou o Mundo (O Homem que Comprou o Mundo, Brasil, 1968) - de Eduardo Coutinho

04 - Bar Esperança, o Último que Fecha (Bar Esperança, o Último que Fecha, Brasil, 1983) - de Hugo Carvana

05 - Amélia (Amélia, Brasil, 2001) - de Ana Carolina

06 - O Rei da Noite (O Rei da Noite, Brasil, 1975) - de Hector Babenco

07 - Dias Melhores Virão (Dias Melhores Virão, Brasil, 1990) - de Carlos Diegues

08 - Jenipapo (Jenipapo, Brasil | Estados Unidos, 1995) - de Monique Gardenberg

09 - Tieta do Agreste (Tieta do Agreste, Brasil | Reino Unido | França, 1996) - de Carlos Diegues

10 - O Viajante (O Viajante, Brasil, 1999) - de Paulo César Saraceni

Marília Pêra com Jairo Mattos em "O Viajante" (1999) de Paulo César Saraceni - Shater Produções Artísticas [br]

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Feito no Brasil | Os Dez Melhores Filmes Nacionais de 2015

Ainda falta um mês para o ano de 2015 acabar, e já é hora de começarem a pipocar pelas redes sociais (e pela rede em geral) listas com Os Melhores Filmes do Ano. Em vista de algumas estreias que ainda aguardamos ansiosos para dezembro, não pudemos chegar à conclusão de quais foram os nossos filmes favoritos, aqueles que mais nos encantaram e aqueles que já podemos até incluir nas nossas listas pessoais de Melhores Filmes de Todos os Tempos (nós mesmos, já colocamos alguns).

A título de informação, o nosso ranking anual será divulgado em breve, sendo que a contagem final selecionará Os Dez Melhores Filmes do Ano. Contando com aquelas famosas “injustiças pontuais”, tentaremos não decepcionar ninguém!

Enquanto isso não acontece, o Rotina Cinemeira traz para os seus leitores uma proposta diferente e rara de ser elaborada por outros blogs e sites de entretenimento. Quem segue o Nosso Blog desde o início de fevereiro (mês da sua criação) sabe que reservamos um grande espaço para as produções nacionais, destacando e, principalmente, promovendo muitos títulos que foram lançados recentemente e que, por algum motivo, não obtiveram o destaque ou o reconhecimento que merecem.

Dessa forma, antes de divulgarmos a lista com os melhores do ano, resolvemos destacar (e indicar!) as dez melhores produções nacionais de 2015, pois acreditamos que elas merecem o mesmo espaço (ou um espaço até maior!) do que as demais produções rodadas ao redor do mundo. Valorizar o Cinema Brasileiro é FUNDAMENTAL!

Lembramos que o critério escolhido para estabelecer os filmes que integram a lista final se restringe somente aos filmes que estrearam em 2015 nas salas de cinema do país através do circuito comercial, ou aqueles lançados diretamente em Home Video ou VOD.

A lista não é longa, mas os comentários a respeito de cada um dos filmes eleitos acabaram se estendendo um pouco mais do que o esperado. Então, sem mais conversas, vamos à Lista com Os Dez Melhores Filmes Nacionais de 2015 (em ordem decrescente):

10º. LUGAR: “BEIRA-MAR”

(Beira-Mar, Brasil, 2015) - de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon

Data da Estreia: 5 de novembro de 2015

Premiado como o Melhor Filme na Première Brasil da Mostra Novos Rumos do Festival do Rio em 2015, o longa-metragem de estreia dos jovens diretores porto-alegrenses Filipe Matzembacher e Marcio Reolon busca desenvolver aspectos mais intimistas e sóbrios aos dramas feitos sobre adolescentes e para adolescentes, atribuindo um tom igualmente sério, mas muito mais introspectivo se comparado ao também recente “Hoje eu quero Voltar Sozinho” (2014) de Daniel Ribeiro.

“Beira-Mar” acompanha a viagem de Martin (Mateus Almada) e Tomaz (Maurício Barcellos), que passam um fim de semana imersos em um universo próprio e comum aos dois. Alternando entre as distrações corriqueiras dos jovens de suas idades e as reflexões sobre a iminência das responsabilidades da vida adulta, os garotos se redescobrem e reforçam os seus laços de amizade abrigados em uma casa de praia de uma cidade do litoral do Rio Grande do Sul, à beira de um mar frio e revolto.

O filme estreou há menos de um mês e, apesar de algumas críticas à crueza do roteiro e à apatia dos protagonistas, acreditamos que essas “pequenas falhas” mais contribuem do que atrapalham no desenvolvimento do seu enredo. A atuação tímida e, por vezes, desconcertada dos atores ajudou, e muito, na composição de personagens que, na realidade, vivem em uma fase de constantes erupções emocionais e conflitos internos. “Beira-Mar” ainda tem um belo caminho a ser trilhado!

"Beira-Mar" (2015) de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon - Avante Filmes [br]

9º. LUGAR: “CAMPO DE JOGO”

(Campo de Jogo, Brasil, 2015) - de Eryk Rocha

Data da Estreia: 23 de julho de 2015

Dentro de um curtíssimo espaço de tempo, digamos, pouco mais de 90 minutos, o “País do Futebol” (que há algum tempo já vinha sendo conhecido somente como o “País da Copa”) agora tem que carregar consigo a amarga alcunha do “País do 7 a 1”. O que muitos não sabem é que, não muito longe do Maracanã, palco sagrado do espetáculo que jurávamos que participaríamos, o Brasil continua a ser a pátria que carrega o esporte mais popular do mundo no seu DNA e na sua alma.

Distante dos holofotes e dos “clicks” que miram os maiores craques do mundo; e longe de qualquer esquema de corrupção que corra dentro da poderosa e onipresente FIFA, “Campo de Jogo” mostra que a paixão é muito mais valiosa que os milhões, ressaltando que a importância do futebol ainda segue latente na cultura brasileira. Ao acompanhar a decisão do Campeonato das Comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro, o diretor Eryk Rocha conseguiu retratar, com raro requinte, a sinergia perfeita entre a torcida, os jogadores, a bola e o campo que, juntos, compõe uma atmosfera mística capaz de produzir aquilo que, um dia, a nossa seleção nacional produzia com naturalidade: arte!

Desenvolta e apaixonante, a câmera de Eryk ainda participa como mais uma personagem que percorre e registra de muito perto a grande batalha travada por esses jogadores, jovens da periferia carioca que canalizam e descarregam dentro de um campo de terra batida todos os dramas da vida real e os maiores anseios com relação ao futuro. Resumindo: “Campo de Jogo” é pura emoção e transpiração!

"Campo de Jogo" (2015) de Eryk Rocha - Canal Brasil [br]

8º. LUGAR: “CHATÔ, O REI DO BRASIL”

(Chatô, o Rei do Brasil, Brasil, 2015) - de Guilherme Fontes

Data da Estreia: 19 de novembro de 2015

Após quase 20 anos de espera, refilmagens e, principalmente, processos judiciais, “Chatô, o Rei do Brasil” chegou aos cinemas acompanhado de um contundente desabafo do diretor Guilherme Fontes, que teve o seu projeto engavetado por todo esse tempo devido a suspeitas de desvios de verbas e sonegação fiscal. Fontes, que também chegou a ser condenado pela justiça a ressarcir os cofres públicos, garante que produto final custou muito menos do que se possa imaginar, afirmando ainda que se tornou uma vítima da própria mídia e, ironicamente, do fantasma do personagem título de sua produção.

Baseado na obra homônima do escritor mineiro Fernando Morais, o sempre polêmico e ambicioso longa romantiza, reverbera e embaraça a vida do magnata paraibano Assis Chateaubriand, considerado um dos homens públicos mais influentes (e manipuladores) da história recente do Brasil. Interpretado pelo extraordinário Marco Ricca, Chatô, como também era reconhecido, se vê como o astro principal de um programa de TV chamado “O Julgamento do Século”, realizado bem no dia de sua morte. Neste programa (na verdade, um delírio moribundo do “pai da televisão brasileira”) ele reencontra com antigos amores e desafetos para um definitivo acerto de contas.

“Chatô, o Rei do Brasil” é uma obra extremamente recomendável, não somente pela curiosidade e pela vontade de desmistificarmos a “lenda urbana” na qual ela acabou se transformando. O filme é realmente muito bom! Um épico “ainda moderno”, extremamente ousado e desafiador para a mente criativa de um jovem cineasta (à época com apenas 29 anos). “Chatô” é original, irreverente e, sobretudo, transgressor!

"Chatô, o Rei do Brasil" (2015) de Guilherme Fontes - Guilherme Fontes Produções [br]

7º. LUGAR: “CÁSSIA”

(Cássia, Brasil, 2015) - de Paulo Henrique Fontenelle

Data da Estreia: 29 de janeiro de 2015

Sempre lembrada por sua inquietude característica, Cássia Eller conquistou uma legião de fãs em uma carreira breve, porém apaixonante. Essa (des)ditosa e típica inquietude era sempre exorcizada nos palcos através de sua rebeldia, despudor e agressividade ou, por outras vezes, resguardada pela sua timidez e humidade. Buscando retratar uma vida guiada por esse equilíbrio (ou pela falta dele), o diretor Paulo Henrique Fontenelle constrói um documento raro e extremamente tocante não só sobre a voz inesquecível ou sobre o legado que Cássia deixou para a música brasileira. Ela era também mulher, filha, esposa e mãe!

Com um excepcional e rico acervo fotográfico, além de registros inéditos em vídeo, o documentário percorre toda a trajetória artística de Cássia, compreendida entre o final dos anos 90 e início dos anos 2000. As narrativas partem desde o início de sua carreira em bares, musicais e peças teatrais; e vão até o seu memorável show no Rock in Rio de 2000 e as consequências da extasiante, exaustiva e fatal turnê do Acústico MTV em 2001.

Os seus problemas pessoais, bem como a dependência do álcool e das drogas, foram expostos da maneira mais honesta ou “consoladora” possível. Entretanto, são os depoimentos carinhosos de amigos (como os músicos Nando Reis e Zélia Duncan) e familiares (como a mãe Nancy e a esposa Maria Eugênia) que garantem os pontos altos de emoção. As palavras ditas por seu filho, Francisco Eller (ou Chicão), são um fragmento à parte, capazes de arrancar lágrimas até mesmo dos olhos mais insensíveis.

De tudo o que pode se conhecer de Cássias Eller, podemos reunir em uma mesma caixinha a doçura, o desleixo, a camaradagem, a “porra-louquice” e, principalmente, a saudade que, em algum lugar não tão distante, estão convivendo em perfeita harmonia.

Cássia passou pela Terra como meteoro de luz e puro talento...

"Cássia" (2015) de Paulo Henrique Fontenelle - Migdal Filmes [br]

6º. LUGAR: “QUE HORAS ELA VOLTA?”

(Que Horas Ela Volta?, Brasil, 2015) - de Anna Muylaert

Data da Estreia: 27 de agosto de 2015

Postulante brasileiro a uma vaga entre os indicados a Melhor Filme de Língua Estrangeira na Cerimônia do Oscar de 2016, “Que Horas Ela Volta?” de Anna Muylaert é, com toda certeza, o mais acessível dentre todos os dez filmes que serão apresentados por aqui. O longa ainda continua em cartaz em muitas das salas de cinema do país, podendo acumular mais algumas semanas de projeção caso a tão esperada nomeação saia.

Rodeada de ovações entusiasmadas e críticas não tão amistosas, o longa acerta ao provocar desconforto na plateia quando escancara uma caricaturada (?) relação entre patrões e empregada; este é um ponto positivo que acredito que ninguém ouse em discordar. Por outro lado, os alvos das críticas negativas não podem ser remetidos à atuação de Regina Casé como a doméstica Val (como vêm acontecendo), até mesmo porque ela não merece nenhuma delas. A atuação de Regina é soberba e, por mais que a sua figura pública venha carregada de polêmicas, devemos assumir que as suas qualidades como atriz em cada trabalho para o cinema (a maioria deles, no caso) estão cada vez mais ressaltadas.

Na realidade, são as quebras de protocolo de Jéssica (Camila Márdila) na casa dos patrões da mãe que mais assustam. Tudo bem que se trata de uma ficção, e que as soluções que Anna Muylaert dá para os conflitos entre mãe e filha / filha da empregada e patrões / empregada e patrões estão longe de serem tão surreais quanto as que a mesma diretora lança mão em “Durval Discos” (2002), por exemplo. Fica claro que o espírito batalhador e, sobretudo, afrontador de Jéssica deve saltar aos olhos de quem acompanha a história.

“Que Horas Ela Volta?” é excelente e acima da média, mas peca por esbarrar nos estereótipos sociais. Val é tanto mãe de Jéssica quanto a “segunda mãe” de Fabinho (Michel Joelsas), e despeja neles a mesma incondicionalidade amorosa. A artificialidade das ações é sublimada por um simples resultado de vestibular, onde se laureia um e penaliza o outro. Nada que estrague a grandiosidade e a importância do filme brasileiro mais comentado do ano!

"Que Horas Ela Volta?" (2015) de Anna Muylaert - Gullane Filmes [br] | Africa Filmes [br]

5º. LUGAR: “PERMANÊNCIA”

(Permanência, Brasil, 2014) - de Leonardo Lacca

Data da Estreia: 28 de maio de 2015

Falando da contemporaneidade, “Permanência” surge para amenizar as maiores inquietações de uma sociedade que se encontra à beira do colapso. Cercados por medos e por incertezas, vivemos em um mundo habitado pela desconfiança e traduzido pelos sentimentos da perda e da ausência. De alguma forma, tudo acaba se misturando: passado e memória; silêncio e fraqueza; ribombo e desejo.

Esse turbilhão de emoções, preservado com latência em um vazio angustiante, é carregado por Ivo (Irandhir Santos), um fotógrafo pernambucano que chega a São Paulo para apresentar a primeira mostra individual de seu elogiado trabalho. Ele acaba aceitando o convite de sua ex-namorada, Rita (Rita Carelli), para permanecer hospedado em sua casa durante o período em que a exposição é realizada. Entretanto, Rita se encontra casada com Mauro (Sílvio Restiffe), enquanto Ivo deixou um grande amor em Recife.

Em questão de segundos, os gestos e olhares “tímidos” refletem as prováveis consequências dos assuntos mal resolvidos entre o ex-casal. A afeição e a simpatia, preservadas ao longo dos anos de distância, farejam uma iminente explosão de sentimentos. Inevitavelmente, a proximidade entre Ivo e Rita irá despertar antigos desejos e novas possibilidades de uma relação para os dois.

Em um diálogo simplório e honesto com o seu espectador, o longa-metragem de estreia do diretor recifense Leonardo Lacca acaba tratando todo esse drama com eloquente singeleza. Afinal, o planeta continua girando, e os seus habitantes permanecem soltos na incessante e conflituosa busca pela felicidade plena. “Permanência” é uma das grandes surpresas do ano, e ainda tem um interessante caminho a seguir!

"Permanência" (2014) de Leonardo Lacca - Trincheira Filmes [br]

4º. LUGAR: “A HISTÓRIA DA ETERNIDADE”

(A História da Eternidade, Brasil, 2014) - de Camilo Cavalcante

Data da Estreia: 26 de fevereiro de 2015

A beleza da poesia invade o interior de Pernambuco para nos contar um pouco mais sobre o instintivo e fatalista destino da humanidade, revelado através da sua angustiosa e, por vezes, imodesta vontade de se encontrar com a própria (in)finitude. Primeiro longa-metragem do diretor recifense Camilo Cavalcante, “A História da Eternidade” é um ensaio sinestésico do amor, dos sonhos e dos desejos emanados pelo Sertão.

O filme acompanha três gerações de mulheres que vivem intensas paixões em um desértico vilarejo do nordeste brasileiro, cada uma ao seu modo. Alfonsina (Débora Ingrid) aguarda ansiosa pelo seu aniversário de 15 anos; Querência (Marcelia Cartaxo) procura encontrar a felicidade ouvindo apaixonadas serenatas; já Aureliana (Zezita Matos) espera apenas um abraço de seu neto, que em breve chegará para uma visita. Os sentimentos dessas mulheres acabarão revolucionando a paisagem afetiva de todos moradores da comunidade, personagens fantásticos de um mundo romanesco no qual as concepções de vida são limitadas pelos flagelos seca.

Não obstante, os buracos cavados pela aflição e pela realidade trágica dessas mulheres são devidamente preenchidos pela entrega ou pela admiração que as mesmas mantêm pelas personagens masculinas do filme, figuras igualmente virtuosas e fortes que, sob o mesmo sol, aceitam os desafios impostos pela natureza tórrida e indissociável às suas mazelas. Nomes de peso como os do talentoso Claudio Jaborandy e do unânime Irandhir Santos contribuem intensamente para imprimir em “A História da Eternidade” os tons e os contornos necessários que revelem a crueza vergasta da nossa própria existência.

"A História da Eternidade" (2014) de Camilo Cavalcante - Aurora Cinema [br] | República Pureza [br]

3º. LUGAR: “AMOR, PLÁSTICO E BARULHO”

(Amor, Plástico e Barulho, Brasil, 2013) - de Renata Pinheiro

Data da Estreia: 22 de janeiro de 2015

Com um roteiro envolvente, ótimas atuações e uma trilha sonora que fica grudada na cabeça por muitos dias, “Amor, Plástico e Barulho” encantou o público e tirou o fôlego de muitas plateias para os quais foi exibido. A fotografia é belíssima, sendo que alguns dos planos e enquadramentos foram capazes de produzir imagens arrebatadores que só reforçam o poder e o caráter hipnotizante deste singular longa-metragem.

Tamanha qualidade na produção não surgiu do acaso, e é reflexo de muito trabalho. A cineasta Renata Pinheiro (que também assina o roteiro do filme ao lado de Sérgio Oliveira) já havia trabalhado como diretora de arte em filmes icônicos (e igualmente sensuais) do nosso cinema. Títulos como “Amarelo Manga” (2002) e “Baixio das Bestas” (2006) de Cláudio Assis; “A Festa da Menina Morta” (2008) de Matheus Nachtergaele; e “Tatuagem” (2013) de Hilton Lacerda fazem parte do seu currículo.

A trama de “Amor Plástico e Barulho” está centrada basicamente em Shelly (Nash Laila), uma dançarina profissional que almeja crescer no mundo do Show Business alimentada pelo grande sonho de se tornar uma cantora de Brega. A jovem passa a fazer parte da decadente Banda Amor com Veneno, que é liderada por Jaqueline (Maeve Jinkings), sua musa inspiradora.

O filme ganha em força e efervescência dramática a partir do momento em que Shelly, sempre movida pela ambição, consegue passar Jaqueline para trás. A rivalidade entre as duas personagens cresce tanto que o duelo de interpretações travado entre Laila e Jinkings se torna um capítulo à parte dentro da produção do filme. A carga de tensão é tão impressionante que fica difícil decidir qual delas se comportou melhor em cena.

O maior problema é que o mundo do qual Shelly e Jaqueline fazem parte é completamente descartável, indo desde as músicas que elas cantam até as relações de amor, de amizade ou de traição que essas mesmas músicas insistem em pregar. Um filme imperdível!

"Amor, Plástico e Barulho" (2013) de Renata Pinheiro - Aroma Films [br] | Boulevard Filmes [br]

2º. LUGAR: “SANGUE AZUL”

(Sangue Azul, Brasil, 2014) - de Lírio Ferreira

Data da Estreia: 4 de junho de 2015

Vigoroso e enigmático como a atmosfera circense; claustrofóbico e fervilhante como um amor proibido...

Classificado como o projeto mais ambicioso da carreira de Lírio Ferreira, o festejado diretor de “Baile Perfumado” (1997), “Sangue Azul” traz para a tela a magia das impossibilidades e a agonia afetuosa de reencontros improváveis. Com paisagens extremamente exuberantes realçadas por uma fotografia impecável, o longa já prometia agradar pelo simples fato de estar povoado por um elenco de primeira grandeza.

Há vinte anos, uma pequena, aprazível e edênica ilha vulcânica do Atlântico Sul foi cenário de uma dolorosa separação. Rosa (Sandra Corveloni) temia que uma relação incestuosa fosse desenvolvida entre seus filhos pequenos e, sem muitas escolhas, optou por mandar o menino para o continente, afastando-o da irmã. A guarda do garoto, com dez anos na época, foi entregue à Kaleb (Paulo César Peréio), o famoso ilusionista e dono do Circo Netuno que passeava pela ilha.

Introduzido nas artes do circo, o ilhéu acaba se transformando em Zolah, o Homem-Bala (Daniel de Oliveira) que regressa à sua terra natal para uma curta temporada de apresentações junto com a sua trupe. O reencontro com Raquel (Caroline Abras) é inevitável e promete reacender os desejos mais inflamáveis e angustiantes que, de fato, Zolah nutria pela irmã.

Com outros nomes de peso no elenco, como Matheus Nachtergaele e Milhem Cortaz, “Sangue Azul” foi filmado no paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha e teve a sua estreia em julho do ano passado, durante o Festival de Paulínia, ensandecendo instantaneamente o público que acompanhava a projeção. Em 2015, o filme abriu a tradicional e prestigiada Mostra Panorama, em exibição hors concours durante o Festival Internacional de Berlim e, por pouco, não ocupou o lugar de melhor filme da nossa seleção.

"Sangue Azul" (2014) de Lírio Ferreira - Drama Filmes [br]

1º. LUGAR: “BRANCO SAI, PRETO FICA”

(Branco Sai, Preto Fica, Brasil, 2015) - de Adirley Queirós

Data da Estreia: 19 de março de 2015

O que fez “Branco Sai, Preto Fica” para nos encantar e merecer, com toda a justiça, o primeiro lugar nessa seleção se deve muito à genialidade e à mente notável e inventiva de seu diretor e roteirista, o brasiliense Adirley Queirós. Como ele próprio costuma relatar em suas entrevistas, o projeto havia entrado no edital público de concorrência com a proposta da realização de um documentário sobre a cena cultural da Ceilândia que, assim como todas as cidades satélites do Distrito Federal, nasceu de um processo social segregador muito doloroso.

O enredo toma como ponto de partida os acontecimentos reais de um trágico evento ocorrido na Ceilândia em meados dos anos 80: a ação covarde e violenta da polícia que promoveu um massacre coletivo (com direito a tiros e espancamentos) em um famoso “baile black” da cidade. A partir desse ponto, o filme passa, curiosamente, a não respeitar ou assumir o seu caráter documental clássico ou observacional. “Branco Sai, Preto Fica” é, essencialmente, um documentário de ficção... científica!

Enviado do futuro, Dimas Cravalanças (Dilmar Durães) deve investigar o que de fato ocorreu neste lamentável incidente e, através de contatos com as vítimas (reais) desta tragédia (que planejam uma retaliação sonora e devastadora contra o Estado), ele deve provar que tudo isso é culpa da própria sociedade. E antes que seja tarde demais, essa espécie de justiceiro ainda deve procurar “indenizar” àqueles que possuem, em seus próprios corpos, dolorosas e irreparáveis marcas ou cicatrizes resultantes deste triste episódio (entre eles, está o talentoso e polivalente Marquim do Tropa).

Mesmo ambientado na Ceilândia do início do século XXI, a atmosfera distópica de “Branco Sai, Preto Fica” chega a se assemelhar ao deserto árido e pós-apocalíptico de “Mad Max” (1979) de George Miller; e ao decadente e poluído cenário futurista de “Blade Runner, o Caçador de Andróides” (1982) de Ridley Scott. Ensurdecedor e visceral, “Branco Sai, Preto Fica” fez aproximadamente 200 mil espectadores nas salas de cinema do país, o que é considerado um sucesso entre os filmes independentes.

"Branco Sai, Preto Fica" (2015) de Adirley Queirós (2015) - Cinco da Norte [br]

Bom, também entendemos que uma lista com apenas dez filmes é muito pequena e nos faz querer saber um pouco mais sobre o o cinema que é feito na nossa própria casa. Dessa forma, resolvemos incluir, no final deste artigo, pequenas listas que citam somente o filme, o ano de produção e o diretor de filmes que se encaixam em algumas categorias que também julgamos importantes. Confira:

Também mereceram destaque este ano: “Casa Grande” (2014) de Fellipe Barbosa; “Depois da Chuva” (2013) de Marília Hughes Guerreiro e Cláudio Marques; “Obra” (2014) de Gregorio Graziosi; “Quase Samba” (2014) de Ricardo Targino; “Romance Policial” (2014) de Jorge Durán; e “Últimas Conversas” (2015) de Eduardo Coutinho.

Não vimos e nem veremos: “Vai que Cola - O Filme” (2015) de César Rodrigues.

Ainda faltam ser conferidos: “A Estrada 47” (2013) de Vicente Ferraz; “Olmo e a Gaivota” (2015) de Petra Costa e Lea Glob; “Orestes” (2015) de Rodrigo Siqueira; “Órfãos do Eldorado” (2015) de Guilherme Coelho; “Samba & Jazz” (2014) de Jefferson Mello; e “O Último Cine Drive-In” (2015) de Iberê Carvalho.

Podem obter grande destaque em 2016: “Brasil S/A” (2014) de Marcelo Pedroso; “Ela Volta na Quinta" (2015) de André Novais Oliveira; “Um Homem Só” (2015) de Cláudia Jouvin; “A Luneta do Tempo” (2014) de Alceu Valença; “Mate-me por Favor” (2015) de Anita Rocha da Silveira; e “O Rei das Manhãs” (2015) de Daniel Rezende.

Maior expectativa para 2016: “Boi Neon” (2015) de Gabriel Mascaro.

(*) Lembrando que críticas, apontamentos de injustiças ou esquecimentos podem ser expressos nos comentários... ;-)

(**) Também não descartaremos os elogios! :-D

ENTÃO É ISSO! QUE OS BONS VENTOS DE 2016 NOS PRESENTEIEM COM MUITO MAIS FILMES ESPETACULARES COMO ESSES!

VIVA SEMPRE O CINEMA NACIONAL!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Com “injustiças pontuais”, Lista dos Melhores Filmes Brasileiros de Todos os Tempos elaborada pela Abraccine se transforma em um excelente guia para conhecermos melhor o Nosso Cinema

No final da última semana, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) divulgou a lista com “Os 100 Melhores Filmes Brasileiros de Todos Tempos”. A eleição contou com a participação de todos os membros da entidade no país, críticos e jornalistas especializados em cinema que elaboraram as suas listas pessoais de filmes favoritos e que serviram de base para estabelecer o posicionamento dos mais votados em um ranking definitivo.

Há quem diga que na “lista das dez coisas mais inúteis para se fazer” o item “elaborar listas sobre qualquer tema” com certeza ocupa uma das cinco primeiras posições. Essa talvez seja uma das “maiores verdades absolutas do mundo”, mas, mesmo assim, somos completamente aficionados por essas listas: os melhores discos ou as melhores canções já gravadas; os maiores atletas ou as melhores equipes esportivas já formadas; os maiores nomes da história da humanidade; e por aí vai... É um mal (ou um bem) necessário! Tanto é que adoramos elaborar as nossas próprias listas e, sobretudo, amamos criticar as dos outros.

Para a equipe do Rotina Cinemeira não podia ser diferente. A relação elaborada e divulgada pela Abraccine, claro, comete as suas “injustiças pontuais”. Mas, sem criticar e desmerecer qualquer um dos títulos incluídos na lista final, concordamos e qualificamos que essa seleção se transformou, desde a sua divulgação, em um excelente guia para conhecermos melhor o nosso cinema e, consequentemente, a sua história. Pela simples curiosidade, muitas pessoas passarão a ter um contato mais íntimo com algumas obras que sequer conheceriam, e vão se surpreender bastante! Alguns dos filmes que foram lembrados são verdadeiros clássicos, muitos deles indispensáveis e obrigatórios para qualquer cidadão brasileiro, seja ele cinéfilo ou não.

Falando propriamente da lista, temos um “ilustre não tão desconhecido” do grande público na primeira posição. Muitas pessoas já tiveram algum contato com “Limite” (1931) de Mario Peixoto, mesmo que sejam por pequenos trechos vistos em documentários sobre cinema ou inserções em outros filmes (como a clássica cena da atriz Olga Bueno e das mãos algemadas, que é constantemente lembrada). O longa-metragem é uma referência cinematográfica mundial e pode sim ser considerado o melhor filme brasileiro de todos os tempos, inclusive pelas polêmicas à época de suas primeiras exibições e pelas décadas de ostracismo até o seu processo de restauro na década de 70, que o requalificaram como uma obra icônica e um verdadeiro patrimônio cultural para o Brasil.

A trama de “Limite” começa com um homem e duas mulheres dentro de um barco à deriva em um infindo oceano. À sua maneira, cada um deles relembra o seu passado recente e narra, a partir de flashbacks, a história de como acabaram chegando até aquela situação, momentos antes da tempestade que acabou os isolando do mundo. Cansados, eles param de remar e se conformam com o cruel destino que a vida lhes reservou. Não há nenhum desejo ou força de vontade para continuarem vivendo e, confrontados por essa situação, as personagens questionam se já alcançaram o limite máximo de suas existências. O filme é uma obra-prima indiscutível e único a ser finalizado por Peixoto em sua carreira de cineasta, infelizmente.

"Limite" (1931) de Mário Peixoto, eleito pelos críticos da Abraccine como o Melhor Filme Brasileiro de Todos os Tempos
Cinédia [br]

“Limite” é o filme que encabeça o ranking dos melhores filmes nacionais de todos os tempos; entretanto, foi o movimento cinematográfico de maior força e ferocidade na história da cena cultural brasileira que emplacou o maior número de trabalhos nesta lista: o Cinema Novo que, entre seus percussores, seus principais nomes e aqueles que verteram para os braços do Movimento Údigrudi (ou Cinema Marginal), nos premiou ao longos das décadas de 50 e 60 com obras magistrais, clássicas e absolutamente incontestáveis. O atributo vociferante e “problematizador” desse movimento vem da época em que o país tinha a urgência de bradar e escancarar tanto as suas conquistas quanto, principalmente, as suas mazelas.

Essa era, então, a atmosfera perfeita para que muitos cineastas se lançassem, começando a propor discussões sobre a crueza da sociedade brasileira através da produção de seus filmes, sempre influenciados de maneira direta pela Nouvelle Vague Francesa e pelo Neorrealismo Italiano. Em consonância indissociável com o lema “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, o Cinema Novo sempre teve Glauber Rocha como um de seus principais nomes; e foi o diretor baiano que emplacou o maior número de filmes nesta lista dos 100 filmes mais relevantes de nossa história da produção nacional, incluindo o segundo lugar, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964). Os outros títulos são: “Terra em Transe” (1967); “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969); “A Idade da Terra” (1980); e o curta-metragem “Di Cavalcanti (Di-Glauber)” (1977).

Continuando com os substanciais e excêntricos expoentes do Cinema Novo Brasileiro, temos também o carioca Joaquim Pedro de Andrade (de “O Padre e a Moça” e “Macunaíma”), o paulistano Nelson Pereira dos Santos (de “Rio 40 Graus” e “Vidas Secas”) e o catarinense Rogério Sganzerla (de “O Bandido da Luz Vermelha” e “Sem Essa, Aranha”) que possuem, cada um, quatro filmes na distribuídos na listagem. Leon Hirszman, de “Eles não Usam Black-Tie” (1981), vem logo na sequência com a menção de três de seus longas. Já Carlos Diegues, Roberto Santos e Ruy Guerra tiveram apenas dois trabalhos lembrados ou integrados à lista final.

"Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964) de Glauber Rocha, obra-prima e referência do Cinema Novo Brasileiro
Banco Nacional de Minas Gerais [br] | Copacabana Filmes [br] | Luiz Augusto Mendes Produções Cinematográficas [br]

Ainda cabe analisar nesta lista o bom desempenho de dois cineastas que possuem carreiras de características totalmente diferentes, mas que, pontualmente, podem se complementar, observando algumas semelhanças nas abordagens temáticas e rotineiras de seus longas-metragens. Tanto a singularidade e a assinatura poderosa de Carlos Reichenbach (que o transformaram em um dos principais nomes da autoral “Boca de Lixo” Paulistana), quanto a rebuscada e opiniática inverossimilhança de um, por vezes, redundante Hector Babenco foram responsáveis por emplacar oito filmes na apreciação do ranking final (com quatro filmes de cada um deles). E tão singulares quanto Reichenbach ou tão expletivos quanto Babenco, estão aqueles cineastas que estabeleceram para suas carreiras uma série de particularidades que acabaram definindo um estilo próprio de filmagem para eles mesmos.

Estes são os casos de José Mojica Marins, criador e intérprete da personagem Zé do Caixão que, por muitos anos, foi o único realizador a se preocupar e a trabalhar com o gênero do terror no Brasil; e de Eduardo Coutinho, uma das figuras mais fantásticas e cativantes do nosso cinema e que, através de seu célebre comportamento de entrevistador que fica sempre por trás das câmeras, registrou e construiu em todos os seus filmes arquivos valiosos, testemunhos e histórias emocionantes que o permitiram entrar para o grupo dos maiores documentaristas do mundo (se não, o maior!). Mojica foi lembrado por três trabalhos: “À Meia-Noite Levarei sua Alma” (1964); “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1967); e “O Despertar da Besta - Ritual dos Sádicos” (1970). Coutinho também: “Cabra Marcado para Morrer” (1985); “Edifício Master” (2002); e “Jogo de Cena” (2007).

O mais interessante é que, apesar de muitos diretores estarem presentes com dois, três ou quatro trabalhos, podemos dizer que a lista elaborada pela Abraccine é bastante diversificada e, de fato, contempla tudo o que possamos imaginar sobre o valioso Cinema Brasileiro. A seleção contempla muitos curtas-metragens, como o belíssimo “Aruanda” (1960) de Linduarte Noronha; o corajoso “Blábláblá” (1968) de Andrea Tonacci; e o multipremiado “Ilha das Flores” (1989) de Jorge Furtado. Além disso, ela não se prende completamente ao classicismo ou ao “o bom mesmo era o que fazíamos antigamente”. Exemplo disso é que, mesmo não estando representado pelo seu principal ícone de transformação, o filme “Carlota Joaquina: Princesa do Brazil” (1995) de Carla Camurati, o “Período da Retomada” está muito bem ilustrado por “Baile Perfumado” (1997) de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, e por “O Viajante” (1999) de Paulo César Saraceni.

Por fim, e para dizer que nunca ficaremos presos no tempo, a lista ainda contempla uma série de produções recentes: tanto de diretores que são mais reconhecidos pela ousadia, como Beto Brant, Laís Bodanzky e Marcelo Gomes, quanto de diretores renomados como o (não tão jovem) Walter Salles e o seu “Central do Brasil” (1998), Fernando Meirelles e o visceral “Cidade de Deus” (2002), e os estrondosos “Tropa 1” (2007) e “Tropa 2” (2010) conduzidos por José Padilha. A lista é tão completa, mas tão completa, que também nos oferece títulos da atual e ainda inacabada década: são os casos de “O Som ao Redor” (2012) de Kleber Mendonça Filho; “O Lobo atrás da Porta” (2013) de Fernando Coimbra; “Tatuagem” (2013) de Hilton Lacerda; e o ainda em cartaz “Que Horas Ela Volta?” (2015) de Anna Muylaert.

"O Som ao Redor" (2012), trabalho mais recente do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho
Hubert Bals Fund [nl] | CinemaScópio [´br]

Em nossa incansável luta pela valorização do cinema que foi e que ainda será produzido por aqui, esta lista divulgada pela Abraccine se faz completa e totalmente necessária (sempre mantendo no inconsciente as “injustiças pontuais”). Vale lembrar que o levantamento realizado pela Associação foi apenas o “pontapé inicial” do projeto que pretende lançar o livro “Os 100 Melhores Filmes Brasileiros” já no ano que vem. O livro irá reunir artigos e ensaios escritos pelos principais críticos de cinema do país sobre cada um dos filmes mais votados, e ainda será o carro-chefe de uma série de publicações que a entidade promete coordenar a partir deste primeiro trabalho.

E enquanto as prateleiras das livrarias do país não recebem as nossas maiores pérolas das telonas reunidas em uma publicação especial, vamos conferir a lista final com os 100 Melhores Filmes Brasileiros que estarão presentes nela:

001 - Limite (1931) - de Mario Peixoto

002 - Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) - de Glauber Rocha

003 - Vidas Secas (1963) - de Nelson Pereira dos Santos

004 - Cabra Marcado para Morrer (1985) - de Eduardo Coutinho

005 - Terra em Transe (1967) - de Glauber Rocha

006 - O Bandido da Luz Vermelha (1968) - de Rogério Sganzerla

007 - São Paulo, Sociedade Anônima (1965) - de Luís Sérgio Person

008 - Cidade de Deus (2002) - de Fernando Meirelles e Kátia Lund

009 - O Pagador de Promessas (1962) - de Anselmo Duarte

010 - Macunaíma (1969) - de Joaquim Pedro de Andrade

011 - Central do Brasil (1998) - de Walter Salles

012 - Pixote: A Lei do Mais Fraco (1981) - de Hector Babenco

013 - Ilha das Flores (1989) - de Jorge Furtado

014 - Eles não Usam Black-Tie (1981) - de Leon Hirszman

015 - O Som ao Redor (2012) - de Kleber Mendonça Filho

016 - Lavoura Arcaica (2001) - de Luiz Fernando Carvalho

017 - Jogo de Cena (2007) - de Eduardo Coutinho

018 - Bye Bye Brasil (1980) - de Carlos Diegues

019 - O Assalto ao Trem Pagador (1962) - de Roberto Farias

020 - São Bernardo (1972) - de Leon Hirszman

"Cidade de Deus" (2002) de Fernando Meirelles e Kátia Lund - O2 Filmes [br] | VideoFilmes [br] | Hank Levine Film [de]

021 - Iracema - Uma Transa Amazônica (1975) - de Jorge Bodanzky e Orlando Senna

022 - Noite Vazia (1964) - de Walter Hugo Khouri

023 - Os Fuzis (1964) - de Ruy Guerra

024 - Ganga Bruta (1933) - de Humberto Mauro

025 - Bang Bang (1971) - de Andrea Tonacci

026 - A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965) - de Roberto Santos

027 - Rio 40 Graus (1955) - de Nelson Pereira dos Santos

028 - Edifício Master (2002) - de Eduardo Coutinho

029 - Memórias do Cárcere (1984) - de Nelson Pereira dos Santos

030 - Tropa de Elite (2007) - de José Padilha

031 - O Padre e a Moça (1966) - de Joaquim Pedro de Andrade

032 - Serras da Desordem (2006) - de Andrea Tonacci

033 - Santiago (2007) - de João Moreira Salles

034 - O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969) - de Glauber Rocha

035 - Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro (2010) - de José Padilha

036 - O Invasor (2002) - de Beto Brant

037 - Todas as Mulheres do Mundo (1966) - de Domingos de Oliveira

038 - Matou a Família e Foi ao Cinema (1969) - de Júlio Bressane

039 - Dona Flor e seus Dois Maridos (1976) - de Bruno Barreto

040 - Os Cafajestes (1962) - de Ruy Guerra

"Edifício Master" (2002) de Eduardo Coutinho - VideoFilmes [br]

041 - O Homem do Sputnik (1959) - de Carlos Manga

042 - A Hora da Estrela (1985) - de Suzana Amaral

043 - Sem Essa, Aranha (1970) - de Rogério Sganzerla

044 - SuperOutro (1989) - de Edgar Navarro

045 - Filme Demência (1986) - de Carlos Reichenbach

046 - À Meia-Noite Levarei sua Alma (1964) - de José Mojica Marins

047 - Terra Estrangeira (1996) - de Walter Salles e Daniela Thomas

048 - A Mulher de Todos (1969) - de Rogério Sganzerla

049 - Rio Zona Norte (1957) - de Nelson Pereira dos Santos

050 - Alma Corsária (1993) - de Carlos Reichenbach

051 - A Margem (1967) - de Ozualdo Ribeiro Candeias

052 - Toda Nudez Será Castigada (1973) - de Arnaldo Jabor

053 - Madame Satã (2002) - de Karim Aïnouz

054 - A Falecida (1965) - de Leon Hirszman

055 - O Despertar da Besta - Ritual dos Sádicos (1970) - de José Mojica Marins

056 - Tudo Bem (1978) - de Arnaldo Jabor

057 - A Idade da Terra (1980) - de Glauber Rocha

058 - Abril Despedaçado (2001) - de Walter Salles

059 - O Grande Momento (1958) - de Roberto Santos

060 - O Lobo atrás da Porta (2013) - de Fernando Coimbra

"Abril Despedaçado" (2001) de Walter Salles - Bac Films [fr] | Dan Valley Film AG | Haut et Court [fr] | VideoFilmes [br]

061 - O Beijo da Mulher Aranha (1985) - de Hector Babenco

062 - O Homem que Virou Suco (1980) - de João Batista de Andrade

063 - O Auto da Compadecida (2000) - de Guel Arraes

064 - O Cangaceiro (1953) - de Lima Barreto

065 - A Lira do Delírio (1978) - de Walter Lima Jr.

066 - O Caso dos Irmãos Naves (1967) - de Luís Sérgio Person

067 - Ônibus 174 (2002) - de José Padilha e Felipe Lacerda

068 - O Anjo Nasceu (1969) - de Júlio Bressane

069 - Meu Nome é Tonho (1969) - de Ozualdo Ribeiro Candeias

070 - O Céu de Suely (2006) - de Karim Aïnouz

071 - Que Horas Ela Volta? (2015) - de Anna Muylaert

072 - Bicho de Sete Cabeças (2001) - de Laís Bodanzky

073 - Tatuagem (2013) - de Hilton Lacerda

074 - Estômago (2007) - de Marcos Jorge

075 - Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) - de Marcelo Gomes

076 - Baile Perfumado (1997) - de Paulo Caldas e Lírio Ferreira

077 - Pra Frente, Brasil (1982) - de Roberto Farias

078 - Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977) - de Hector Babenco

079 - O Viajante (1999) - de Paulo César Saraceni

080 - Anjos do Arrabalde (1987) - de Carlos Reichenbach

"O Auto da Compadecida" (2000) de Guel Arraes - Globo Filmes [br]

081 - Mar de Rosas (1978) - de Ana Carolina

082 - O País de São Saruê (1971) - de Vladimir Carvalho

083 - A Marvada Carne (1985) - de André Klotzel

084 - Sargento Getúlio (1983) - de Hermanno Penna

085 - Inocência (1983) - de Walter Lima Jr.

086 - Amarelo Manga (2002) - de Cláudio Assis

087 - Os Saltimbancos Trapalhões (1981) - de J. B. Tanko

088 - Di Cavalcanti (Di-Glauber) (1977) - de Glauber Rocha

089 - Os Inconfidentes (1972) - de Joaquim Pedro de Andrade

090 - Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967) - de José Mojica Marins

091 - Cabaret Mineiro (1980) - de Carlos Alberto Prates Correia

092 - Chuvas de Verão (1978) - de Carlos Diegues

093 - Dois Córregos - Verdades Submersas no Tempo (1999) - de Carlos Reichenbach

094 - Aruanda (1960) - de Linduarte Noronha

095 - Carandiru (2003) - de Hector Babenco

096 - Blábláblá (1968) - de Andrea Tonacci

097 - O Signo do Caos (2005) - de Rogério Sganzerla

098 - O Ano em que meus Pais Saíram de Férias (2006) - de Cao Hamburger

099 - Meteorango Kid: O Herói Intergalático (1969) - de André Luiz Oliveira

100 - Guerra Conjugal (1974) - de Joaquim Pedro de Andrade (*)

101 - Bar Esperança, o Último que Fecha (1983) - de Hugo Carvana (*)

(*) Empatados na última posição, com o mesmo número de pontos.

"O País de São Saruê" (1971) de Vladimir Carvalho - Paraíba Produções Cinematográficas [br]

É ISSO! BOAS DESCOBERTAS E BOAS SESSÕES!

VIVA SEMPRE O CINEMA NACIONAL!