quarta-feira, 3 de junho de 2015

Identidade Nacional #3 | Hoje eu quero Voltar Sozinho (2014)

(Hoje eu quero Voltar Sozinho, Brasil, 2014). Dirigido e roteirizado por Daniel Ribeiro. Elenco: Ghilherme Lobo, Fabio Audi, Tess Amorim, Lúcia Romano, Eucir de Souza, Selma Egrei, Isabela Guasco, Victor Filgueiras, Pedro Carvalho, Guga Auricchio, Matheus Abreu, Bárbara Pereira, Naruna Costa, Júlio Machado, Renata Novaes.

Ao lançar a coluna “Identidade Nacional”, o Rotina Cinemeira tinha como objetivo principal resgatar obras perdidas ou esquecidas em décadas anteriores, preferencialmente aquelas lançadas na Pré-Retomada do Cinema Brasileiro, verdadeiras preciosidades de uma época extremamente criativa e que, de maneira errônea e taxativamente preconceituosa, sempre foi classificada como uma fábrica de filmes de péssima qualidade. Permitir que um maior número de pessoas passe a ter contato com esses trabalhos é fazer a remição de uma autenticidade que não teve a apreciação merecida no passado. Entretanto, devido a um fenômeno raro ocorrido recentemente no circuito comercial do país, discutiremos sobre um clássico instantâneo, a pérola “Hoje eu quero Voltar Sozinho” (2014) do diretor paulistano Daniel Ribeiro.

A ideia excepcional de encaixá-lo neste espaço surgiu em menos de 24 horas, pois o longa (que já circulou por várias salas de cinema do Brasil no ano passado) fez parte e foi o destaque de ontem na programação do “Projeto Cinema em Transe”, uma mostra realizada há três anos no Sesc Palladium, em Belo Horizonte, e que vem recebendo a nossa total atenção desde a criação deste canal de comunicação. Ressaltamos sempre que a valorização de produções do circuito independente é fundamental para o fortalecimento da filosofia cinematográfica de um país na difícil missão de conquistar o seu espaço no mercado consumidor de cinema.

Vale à pena lembrar que a sessão ocorrida nesta última terça-feira (que ainda incluiu um debate com o diretor) foi fechada e exclusiva para professores, mediante um agendamento prévio. Todavia, tal eventualidade serviu para podermos fazer uma análise do quão importante foi a exibição do longa para este público tão distinto, destacando a relevância e os efeitos de uma posterior disseminação das mensagens e do compartilhamento dos ensinamentos do filme no ambiente escolar. Afinal, além do seu grande valor cultural, “Hoje eu quero Voltar Sozinho” também tem o poder de funcionar como uma ferramenta pedagógica?

No campo prático da interdisciplinaridade, a experiência é completamente viável. Além disso, o filme vem carregado de uma pluralidade cultural concatenada à assuntos que rotineiramente são temas de fervorosas discussões. Discussões essas que ultrapassam os muros das escolas e os ambientes familiares para se tornarem tópicos de interesse de toda uma sociedade, que dentre eles destacam-se: sexualidade na adolescência, diversidade e respeito à opção sexual, bullying e exclusão social, e autonomia e liberdade de escolha, para ficarmos só entre as matérias que o longa-metragem trata.

"Hoje eu quero Voltar Sozinho" (2014) de Daniel Ribeiro - Lacuna Filmes [br] | Polana Filmes [br]

No filme de Daniel Ribeiro temos como personagem central Leonardo (Ghilherme Lobo), um adolescente que possui deficiência visual e que, assim como todos os jovens de sua idade, está em busca da autoafirmação e da conquista de seu próprio lugar. Ele deseja ser mais independente e, para isso, precisa ir além do lidar com as suas próprias limitações e os preconceitos de algumas pessoas que, infelizmente, ainda existem de uma forma incrível e persistente. Buscando a sua liberdade e ansioso por viver novas experiências (incluindo a descoberta do amor), Leonardo (ou Léo) tem de enfrentar a superproteção dos pais e de Giovana (Tess Amorim), sua inseparável e apaixonada melhor amiga.

É Giovana que sempre esteve ao lado de Léo desde quando eram mais novos. Os dois faziam tudo juntos, desde acompanharem um ao outro no caminho de casa após o fim das aulas, até dividirem os seus segredos mais íntimos. Um certo dia, para o desespero e decepção da garota, o amigo lhe confessa o desejo de se libertar das amarras do cotidiano e revela o plano de fazer uma viagem de intercâmbio. Porém, a chegada de Gabriel (Fabio Audi), o novo aluno da escola, desperta sentimentos até então desconhecidos em Léo, fazendo-o redescobrir outras maneiras de enxergar (por que não?) e vivenciar o mundo.

“Hoje eu quero Voltar Sozinho” funciona, pois é carregado de simplicidade e doçura na abordagem de temas tão complicados como o tratamento das diferenças (tanto nas incapacidades ou deficiências físicas quanto nos tabus sobre sexualidade), tentames difíceis de serem trabalhados, inclusive, por professores em sala de aula. A autonomia que Léo tanto busca durante o filme deve ser sempre reforçada em discursos que observam os direitos sociais plenamente adquiridos (em uma conquista historicamente recente) por todos os portadores de qualquer tipo de deficiência. Políticas de inclusão social e o direito à facilitação de acessibilidade em lugares públicos, por exemplo, devem ser constantemente discutidos em todas as camadas da sociedade como forma de valorização, sobretudo, de nossa cidadania.

Já com relação às questões de diversidade sexual e da liberdade de orientação sexual basta lembrar que esses temas já estão integrados às Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos e que, desde o ano de 2004, o programa “Brasil sem Homofobia” vem sendo veiculado pelo Governo Federal de maneira exemplar. Apesar de tudo isso, o fato dos personagens principais viverem um romance homossexual se torna irrelevante, ou melhor dizendo, imperceptível em vista da meiga e afável relação entre Leonardo e Gabriel que, acima de tudo, são grandes amigos.

Encarar tudo com serenidade e naturalidade é o primeiro passo para vencer uma ignorância burra construída pelas aversões sociais e que, assim como na trama, devem se desenvolver de maneira leve, delicada e verdadeira. À medida em que as situações vão sendo postas de forma meticulosa em cena, começamos a notar que, independente de todas as externalidades, a perspectiva de cada indivíduo é única, e Léo está simplesmente descobrindo que ser um adolescente nos dias de hoje não é uma tarefa das mais fáceis.

Fabio Audi e Ghilherme Lobo em "Hoje eu quero Voltar Sozinho" (2014) de Daniel Ribeiro
Lacuna Filmes [br] | Polana Filmes [br]

Comovente e divertido, “Hoje eu quero Voltar Sozinho” foi reverenciado em muitos festivais de cinema do mundo justamente por ser uma obra simples e original, embora caminhe de forma funâmbula sobre alguns clichês presentes nos filmes feitos para adolescentes. O filme é uma extensão do projeto em curta-metragem “Eu não quero Voltar Sozinho” (2010) do próprio Daniel Ribeiro, um filme mais poderoso e com o discurso mais direto, que não precisou da amarras e elementos de temática jovem para mandar seu recado, restringindo a trama aos dilemas dos personagens de Ghilherme, Fabio e Tess (que repetem seus papéis e também são protagonistas neste filme).

Sucesso visualizado (e viralizado) por milhões de pessoas no YouTube, o curta alavancou a produção de um longa-metragem que já era certeza de sucesso, tanto é que abocanhou no 64º. Festival Internacional de Cinema de Berlim (um dos mais importantes do mundo) os prêmios FIPRESCI Prize, como Melhor Filme da Mostra Panorama, e o Teddy Award, como o Melhor Filme de temática LGBT entre os concorrentes da edição.

Deixando de lado o julgamento do merecimento ou não dos prêmios conquistados na Alemanha, bem como o credenciamento que resultou na escolha do filme para ser o representante do Brasil na tentativa de ser um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na edição deste ano, cabe destacar que “Hoje eu quero Voltar Sozinho” nunca deixará de ser um filme relevante e importantíssimo da nossa cinematografia tendo vista o nosso cenário de lançamentos recentes do circuito alternativo que tentam ganhar um espaço em salas comerciais. Além da crítica, o filme também foi sucesso de público, e permaneceu em cartaz por muitas semanas até mesmo em grandes redes de cinema que hoje dominam os mercados de produção, distribuição e exibição de conteúdo audiovisual no Brasil. Lembrando ainda que o valor cultural e intimista que o cinema sempre possuiu perde a sua força frente ao amplo domínio da indústria hollywoodiana nos mercados consumidores mundo a fora.

Apesar de tudo isso, as escolhas do país para participar dos grandes festivais e mostras de cinema no planeta ainda resguardam certa coerência e, no caso específico do Oscar deste ano, filmes que outrora teriam espaço garantido para tentar concorrer à “tão sonhada” estatueta, como o drama “Entre Nós” (2013) de Paulo Morelli e Pedro Morelli e o suspense “O Lobo atrás da Porta” (2013) de Fernando Coimbra, apesar de ótimos perderam espaço para discurso sutil mas arrebatadoramente engajado do quase pueril filme de Daniel Ribeiro. Outros filmes ainda mais maduros, tanto na abordagem quanto na execução técnica, e de mesma temática estavam na disputa como “Praia do Futuro” (2014) de Karim Aïnouz e “Tatuagem” (2013) de Hilton Laceda, também deram lugar para a singeleza narrativa de “Hoje eu quero Voltar Sozinho”.

O mundo de descobertas de Léo “venceu” essa corrida justamente pelo momento de discussão de algumas controvérsias serem extremamente oportunas, buscando no cinema um ótimo recurso de divulgação e ferramenta auxiliar para o esclarecimento de polêmicas que incomodam, provocam e desafiam uma população, à princípio, alienada. É digno de comemoração observar “Hoje eu quero Voltar Sozinho” ganhando o seu devido espaço e respeito dentre as demais produções nacionais ao longo destes dois últimos anos, mas o caminho ainda é árduo, tanto no combate ao caráter predatório do atual mercado de cinema no país quanto na abordagem de temas de amplo interesse social, formador de caráter e opinião de toda uma sociedade.

A luta continua...


terça-feira, 2 de junho de 2015

Cine Sesc Palladium exibe a partir desta terça a Mostra “David Lynch - O Lado Sombrio da Alma” | Rotina em Belo Horizonte

A criatividade plasticamente estranha de um dos diretores de estilo cinematográfico mais peculiar da contemporaneidade ocupa a programação do “Projeto Cine Sesc” em todo o mês de junho. Estendendo-se até o dia 28, inicia-se hoje, as 16:00, no Sesc Palladium em Belo Horizonte, a Mostra “David Lynch - O Lado Sombrio da Alma”. Ao todo serão exibidos, na Sala Professor José Tavares de Barros, quarenta e dois trabalhos produzidos, dirigidos ou apenas atuados por Lynch. Não se trata de uma retrospectiva integral, mas o material é vasto, incluindo, por exemplo, todos os longas-metragens do abstrato e místico cineasta estadunidense.

Artista em várias plataformas além do cinema (artes plásticas, visuais, literatura, música), Lynch extrapola o onirismo, recheando as suas obras de desejos fantasiosos minuciosamente entrecortados por desenhos sonoros que ajudam a compor um “caos organizado” que conduz todas as situações ou tramas representadas. O cineasta ainda é um dos poucos na história do cinema a receber uma alcunha própria que define a sua atitude atrás das câmeras e a assinatura poderosa em filmes cultuados por inúmeros fãs ao redor do mundo. Tudo aquilo que é “lynchiano” tem a sua firma ou foi influenciado por ele. Diretores como o chileno Alejandro Amenábar, o casal francês Bruno Forzani e Hélène Cattet e o compatriota menos sonhador e mais realista Darren Aronofsky empregam em seus filmes nítidos e preponderantes elementos do cinema realizado por Lynch.

Polêmico, o diretor possui em seu vasto currículo obras cinematográficas vigorosas que sempre procuraram perturbar e desvairar o seu público, sendo que a sua criatividade ainda perpassa pelo surrealismo abusando de elementos bizarros ou violentos para exemplificar aquilo que é simples e rotineiro. O trabalho mais importante de David Lynch talvez seja “O Homem Elefante” (1980) que mescla com perfeição a incredulidade na raça humana com as belezas e os mistérios que a vida ainda tem para nos oferecer. Um dos mais “modernos” filmes já realizados (que integra o programa da Mostra) acompanham o drama de uma horripilante, porém gentil aberração de circo (maltratada e humilhada pelo seu dono) que, apesar de sua aparência bestial, brada para afirmar sua humanidade ganhando a atenção e a simpatia de “amigos” e derrubando algumas barreiras construídas pela ignorância dos homens.

Todos os filmes realizados por David Lynch têm muito disso: um lado sombrio de uma alma que acaba explicando a nossa essência primitiva e historicamente conturbada, afinal, o próprio diretor diz que “a vida é muito, muito confusa, e por isso os filmes devem ser autorizados a ser também”.

O diretor David Lynch em "Pretty as a Picture: The Art of David Lynch" (1997) de Toby Keller - Divulgação

Não são só dos filmes dirigidos por David Lynch que a Mostra está composta. Alguns documentários que contam a história de vida e a trajetória profissional do diretor complementam e enriquecem o evento. “Ruth, Roses and Revolver” (1987) de Helen Gallacher e “Scene by Scene - David Lynch” (1999) de Mark Cousins são duas produções da rede de televisão britânica BBC que fornecem uma leitura introspectiva sobre a inventividade, sobre as influências e sobre a visão que David Lynch tem do mundo. Já no documentário nacional “Transcendendo Lynch” (2011), os diretores Marcos Andrade e Júlia Martins mostram a visita que o cineasta fez ao Brasil para o lançamento de um de seus livros e onde, em conversa, defende que a prática da meditação transcendental é a única forma de trazer o bem-estar para a humanidade, principalmente em países e regiões violentas e socialmente instáveis.

Em “Pretty as a Picture: The Art of David Lynch” (1997) de Toby Keeler (imagem acima) observamos todo o processo criativo de Lynch durante as filmagens de “A Estrada Perdida” (1997). O filme é composto por entrevistas com o elenco e a equipe de produção do filme, além de uma colagem com cenas de outros trabalhos, quadros e imagens dos primeiros curtas-metragens realizados no início da carreira do diretor, curtas esses que poderão ser conferidos em sessões de “The Short Films of David Lynch” (2002) e “Dynamic 01: The Best of DavidLynch.com” (2007).

David Lynch ainda terá parte do seu trabalho como produtor executivo revisado com a apresentação de algumas séries criadas por ele para a televisão dos Estados Unidos. Títulos como “On the Air” (1992), “Hotel Room” (1993) e “Dumbland” (2002) serão exibidos na íntegra. Além disso, o episódio piloto de “Twin Peaks” (1990) terá duas mostras especiais seguido pelo filme “Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer” (1992) que foi originado a partir do sucesso da série. Filmes de outros diretores que também tiveram Lynch como produtor terão espaço garantido na Mostra, com destaque para o documentário “Crumb” (1994) de Terry Zwigoff, e os suspenses “Encaixotando Helena” e “Sob Controle” (2008), ambos dirigidos pela sua filha Jennifer Chambers Lynch.

Ainda no dia 18 de junho, as 19:00, o jornalista e publicitário Mário Abbade, curador da Mostra, participará de um debate sobre a obra de Lynch. Para ficar por dentro da programação, basta conferir as informações do evento que estão disponíveis no site do Sesc Palladium (sescmg.com.br/sescpalladium), ou acessá-las diretamente pelo link "David Lynch - O Lado Sombrio da Alma"

Lembrando que a entrada para as sessões é gratuita, mas é necessário retirar os ingressos na bilheteria do Sesc duas horas antes de cada exibição. O espaço está sujeito a lotação. Observação: a casa não funciona às segundas-feiras.

A Sala Professor José Tavares de Barros está localizada no Sesc Palladium, na Avenida Augusto de Lima 420, centro de Belo Horizonte.

Com base nessa diversificada programação, o Rotina Cinemeira selecionou um trabalho de cada década do cineasta David Lynch e agora indica quatro singulares filmes que não podemos deixar de conferir neste mês. Veja agora, alguns dos títulos imperdíveis que estarão em cartaz:

Eraserhead (Eraserhead, Estados Unidos, 1977)

Direção: David Lynch

Henry Spencer (Jack Nance) é um comedido operário que tenta sobreviver ao estuporado ambiente industrial de sua cidade, um local arruinado e desabitado que o sufoca e o faz se sentir uma engrenagem fora do eixo. De férias, Henry também passa por momentos difíceis em casa, pois se viu obrigado a casar com Mary X (Charlotte Stewart), uma antiga namorada que diz estar esperando um filho seu e que agora vive junto dele.

Entretanto, Mary afirma que “ainda é incerto que seja um bebê”, deixando Henry ainda mais confuso. A criança nasce uma aberração, um ser mutante com feições reptilianas que produz estranhos sons e gritos insuportáveis capazes de irritar e levar a sua própria mãe à loucura. Mary abandona o filho recém-nascido com Henry, que agora terá a espinhosa tarefa de cuidar de sua pequena “criatura” sozinho.

"Eraserhead" (1977) de David Lynch - American Film Institute (AFI) [us] | Libra Films [us]

Veludo Azul (Blue Velvet, Estados Unidos, 1986)

Direção: David Lynch

O inocente universitário Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachlan) retorna à sua cidade natal, a pequena e pacata Lumberton, e percebe que a vida por lá não continua tão sossegada como nos tempos de outrora. A descoberta de uma orelha humana decepada e infestada de formigas no jardim de casa leva o jovem a, de uma maneira pungente e instintiva, iniciar uma tentadora investigação carregada de mistério, sedução e erotismo.

Com a ajuda da filha do investigador da cidade, Sandy Williams (Laura Dern), Jeffrey tenta encontrar a solução para o enigma e acaba se envolvendo com a perturbada cantora de boate Dorothy Vallens (Isabella Rossellini), que por sua vez é maltratada pelo sádico e perverso Frank Booth (Dennis Hopper). Frank é um viciado que, supostamente, faz parte de um grupo de criminosos psicopatas que sequestraram o marido e o filho de Dorothy. Aos poucos, Jeffrey passa a se envolver de uma maneira cada vez mais perigosa com a depravada existência desse par incomum.

"Blue Velvet" (1986) de David Lynch - De Laurentiis Entertainment Group (DEG) [us]

Uma História Real (The Straight Story, França | Reino Unido | Estados Unidos, 1999)

Direção: David Lynch

Quando se encontra perturbado pela notícia da doença que está prestes a tirar a vida do irmão Lyle (Harry Dean Stanton), Alvin Straight (Richard Farnsworth) decide largar a tranquilidade de sua vida na pequena cidade de Laurens, em Iowa rumo a Mr. Zion, no Wisconsin para visitá-lo. Centenas de milhas separam os dois irmãos que já não conversam há muito tempo, mas, disposto a colocar as diferenças de lado, Alvin se lança na estrada guiando o único meio de transporte do qual dispõe: um velho trator aparador de grama.

Durante o percurso, Alvin encara obstáculos e enfrenta todos os tipos de adversidades para concretizar o seu grande desejo. Além disso, ele encontra diversos personagens que farão de sua viagem uma verdadeira jornada sentimental que mistura sabedoria e autoconhecimento. A determinação e coragem de Alvin Straight para vencer o orgulho ferido em busca de uma possível reconciliação com Lyle nos desarma pela simplicidade, evidenciando todo esplendor da natureza humana que ainda conserva na sua mais profunda intimidade o divino poder do perdão.

"The Straight Story" (1999) de David Lynch - Walt Disney Pictures [us] | Canal+ [fr] | Channel Four Films [gb]
Asymmetrical Productions [us] | CiBy 2000 [fr] | Les Films Alain Sarde [fr] | StudioCanal [fr] | The Picture Factory

Cidade dos Sonhos (Mulholland Dr., França | Estados Unidos, 2001)

Direção: David Lynch

Um quebra-cabeças aparentemente ilógico que envolve diversos personagens se configura a partir de um acidente automobilístico em uma das curvas da estrada Mulholland Drive, em Los Angeles. Rita (Laura Harring) escapa ilesa da colisão, mas perde a memória e sai do local rastejando para se esconder em um edifício residencial que é administrado por Coco (Ann Miller). Rita passa a morar em um apartamento neste mesmo prédio junto com Betty (Naomi Watts), uma aspirante atriz recém-chegada à Hollywood que agora faz de tudo para ajudar a nova amiga a redescobrir sua identidade.

Em outra parte da cidade e após ser espancado pelo amante da esposa, o cineasta Adam Kesher (Justin Theroux) é roubado pelos infaustos irmãos Luigi e Vicenzo Castigliane (Angelo Badalamenti e Dan Hedaya). Ao se encontrarem e se complementarem nessa complexa trama que evidencia um jogo brutal pela busca pistas e respostas em uma Los Angeles dividida entre o sonho e a realidade, observamos Lynch trabalhar com sutileza a personalidade de suas personagens e questionar os limites da contraditória identidade dos seres humanos.

"Mulholland Dr." (2001) de David Lynch
The Picture Factory | Les Films Alain Sarde [fr] | Asymmetrical Productions [us] | Babbo Inc. | Canal+ [fr]

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Memórias #9 | Betsy Palmer (1926 - 2015)

Betsy Palmer, a atriz de beleza clássica que encantou grande público na TV, na Broadway e no Cinema e que, décadas mais tarde, se transformou em insígnia dos “slasher movies” como a Senhora Voorhees de “Sexta-Feira 13” (1980), morreu na última sexta-feira (29 de maio), aos 88 anos, de causas naturais em Danbury, Connecticut.

Betsy Palmer começou sua carreira na televisão no início dos anos 50, participou de séries importantes como “Danger”, “Inner Sanctum” e “The Web” e ainda foi jurada regular do popular game show “I’ve Got a Secret” que ficou no ar nos Estados Unidos por quase quinze anos. Teve sua estreia no cinema em 1955 no filme “Death Tide” de Victor Komow.

No mesmo ano, a atriz participou (com papéis secundários) de três grandes produções hollywoodianas: “A Paixão de uma Vida” (1955) de John Ford, com Tyrone Power e Maureen O’Hara; “Os Amores Secretos de Eva” (1955) de Ranald MacDougall, com Joan Crawford e Barry Sullivan; e “Mister Roberts” de John Ford e Mervyn LeRoy, talvez o filme mais célebre do qual tenha participado. Neste espetacular drama de guerra, Betsy interpreta a Oficial Ann Girard e divide a cena com as lendas Henry Fonda, James Cagney, William Powell e Jack Lemmon.

Com atuações maduras e vigorosas, Betsy Palmer figurou como uma atriz coadjuvante de futuro promissor e chegou a coestrelar, em 1957, o western “O Homem dos Olhos Frios”, clássico do diretor Anthony Mann com Henry Fonda e Anthony Perkins.

Betsy Palmer com Henry Fonda em "The Tin Star" (1957) de Anthony Mann - Perlsea Company [us]

A sobriedade e o talento para desempenhar papéis menores com retidão fizeram com que Betsy Palmer se enveredasse para uma carreira mais discreta na televisão, participando de outras inúmeras séries, telefilmes, e até mesmo se arriscando como repórter no noticiário diário “Today” da NBC. Entretanto, foi a explosão de perversidade em tela que fez da atriz uma das figuras mais reverenciadas da cultura pop e um ícone do cinema altamente moderno, dinâmico, produtivo e lucrativo que despontava nos Estados Unidos no início da década de 80.

Ao aceitar o papel de Pamela Voorhees, a desequilibrada mãe do vingativo assassino Jason em “Sexta-Feira 13” (1980) e sua continuação, “Sexta-Feira 13 - Parte 2” (1981), Betsy Palmer assumiu que estava colocando “a sua conta em risco”. O convite era incomum, afinal a atriz estava há mais de 20 anos sem atuar no cinema, e, além disso, Betsy achava o roteiro do filme sofrível, chegando a afirmar que ninguém jamais iria assistir ou se lembrar deste trabalho e que estava engajada no projeto simplesmente para conseguir dinheiro para comprar um carro novo.

Com o passar dos anos e com o status cult que a franquia de “Sexta-Feira 13” foi conquistando (pelo menos em suas primeiras sequências) a atriz valorizou e, aparentemente, abraçou o papel de Senhora Voorhees, considerando-o como o principal de sua carreira e aquele que a fez ser eternizada entre os grandes fãs de cinema, principalmente os amantes dos emblemáticos filmes de terror dos anos 80. Fica aqui, portanto, a nossa homenagem.

Descanse em paz... (1926 - 2015)

Dez filmes com Betsy Palmer que indico (em ordem de predileção):

01 - Mister Roberts (1955) - de John Ford e Mervyn LeRoy

02 - O Homem dos Olhos Frios (1957) - Anthony Mann

03 - A Paixão de uma Vida (1955) - de John Ford

04 - Os Amores Secretos de Eva (1955) - de Ranald MacDougall

05 - Rebeldia de um Bravo (1959) - de Daniel Mann

06 - Sexta-Feira 13 (1980) - de Sean S. Cunningham

07 - Bell Witch: The Movie (2007) - de Shane Marr

08 - Penny Dreadful (2005) - de Bryan Norton

09 - Fear 2 - Uma Noite de Halloween (1999) - de Chris Angel

10 - Sexta-Feira 13 - Parte 2 (1981) - de Steve Miner

Betsy Palmer em "Friday the 13th" (1980) de Sean S. Cunningham
Paramount Pictures [us] | Warner Bros. [us] | Georgetown Productions Inc. | Sean S. Cunningham Films [us]

domingo, 31 de maio de 2015

Vistos e Revistos em 2015 #maio

Maio serviu para alavancar esta lista!

Juntamente com fevereiro, este foi o melhor mês para a apreciação de grandes filmes (outros, nem tanto): ao todo foram 44 títulos vistos ou revistos que ampliam e mantêm a média superior a 1 filme/dia, marca que pretendo conservar e consolidar como um objetivo até o final do ano. Se a média aumentou ainda mais, continuo muito feliz com este estimado adimplemento!

Lembro que sempre indico todos os filmes aos quais assisto! Friso que cada um deles, por pior que seja, tem direito a uma recomendação, simplesmente pela proposta à experiência da degustação cinematográfica. Uma vez ou outra (no caso, quase sempre) o que agrada aos olhos de um pode não agradar aos olhos de todos os outros.

Observação: os filmes em destaque na lista a seguir possuem perfis e críticas nas sessões “Sempre um Clássico” ou “Identidade Nacional” ou ainda fizeram parte da programação anual do Projeto “Cinema em Transe” do Sesc Palladium de Belo Horizonte que valoriza as nossas mais recentes produções nacionais. É só clicar e conferir!

Compartilho com vocês, portanto, todos os 196 filmes já apreciados em 2015:

001 - Abismo Prateado, O (O Abismo Prateado, Brasil, 2011)

002 - Abominável Doutor Phibes, O (The Abominable Dr. Phibes, Reino Unido | Estados Unidos, 1971)

003 - Abutre, O (Nightcrawler, Estados Unidos, 2014)

004 - Além da Fronteira (Out in the Dark, Israel | Estados Unidos, 2012)

005 - Alien, o Oitavo Passageiro (Alien, Estados Unidos | Reino Unido, 1979)


007 - Amantes Crucificados, Os (Chikamatsu Monogatari, Japão, 1954)

008 - Amargo Regresso (Coming Home, Estados Unidos, 1978)

009 - Amores de Apache (Casque d’Or, França, 1952)

010 - Anabazys - O Terceiro Testamento de Glauber Rocha (Anabazys, Brasil, 2007)

011 - Aniversário Macabro (The Last House on the Left, Estados Unidos, 1972)

012 - Anjo do Mal (Pickup on South Street, Estados Unidos, 1953)

013 - Ao Rufar dos Tambores (Drums Along the Mohawk, Estados Unidos, 1939)

014 - Aplausos (Applaus, Dinamarca, 2009)

015 - Atire a Primeira Pedra (Destry Rides Again, Estados Unidos, 1939)

016 - Batman (Batman, Estados Unidos | Reino Unido, 1989)

017 - Beau Geste (Beau Geste, Estados Unidos, 1939)

018 - Besta Humana, A (La Bête Humaine, França, 1938)

019 - Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance), Estados Unidos | Canadá, 2014)

020 - Blade Runner, o Caçador de Androides (Blade Runner, Estados Unidos | Hong Kong | Reino Unido, 1982)

021 - Blow-Up - Depois Daquele Beijo (Blowup, Reino Unido | Itália | Estados Unidos, 1966)

022 - Boulevard do Crime, O (Les Enfants du Paradis, França, 1945)

023 - Boxtrolls, Os (The Boxtrolls, Estados Unidos, 2014)


025 - Cake: Uma Razão para Viver (Cake, Estados Unidos, 2014)

026 - Caminhos da Floresta (Into the Woods, Estados Unidos | Reino Unido | Canadá, 2014)

027 - Carícia Fatal (Ratos e Homens) (Of Mice and Men, Estados Unidos, 1939)

028 - Carrossel da Esperança (Jour de Fête, França, 1949)

029 - Casa de Bambu (House of Bamboo, Estados Unidos, 1955)

030 - Casal Osterman, O (The Osterman Weekend, Estados Unidos, 1983)


032 - Céu que nos Protege, O (The Sheltering Sky, Reino Unido | Itália, 1990)

033 - Cinzas no Paraíso (Days of Heaven, Estados Unidos, 1978)

034 - Clube dos Cinco (The Breakfast Club, Estados Unidos, 1985)


036 - Como Treinar o seu Dragão 2 (How to Train your Dragon 2, Estados Unidos, 2014)

037 - Conto da Princesa Kaguya, O (Kaguyahime no Monogatari, Japão, 2013)

038 - Contos da Lua Vaga (Ugetsu Monogatari, Japão, 1953)

039 - Corcunda de Notre Dame, O (The Hunchback of Notre Dame, Estados Unidos, 1939)

040 - Costela de Adão, A (Adam’s Rib, Estados Unidos, 1949)

041 - De Onde se Avistam as Chaminés (Entotsu no Mieru Basho, Japão, 1953)

042 - Deixe a Luz Acesa (Keep the Lights On, Estados Unidos, 2012)

043 - Demônio da Argélia, O (Pépé le Moko, França, 1937)

044 - Demônio das Onze Horas, O (Pierrot le Fou, França | Itália, 1965)

045 - Departamento Q - Guardiões das Causas Perdidas (Kvinden i Buret, Dinamarca | Alemanha | Suécia, 2013)

046 - Desconstruindo Harry (Deconstructing Harry, Estados Unidos, 1997)

047 - Deserto Azul (Deserto Azul, Brasil | Chile, 2013)

048 - 2 Coelhos (2 Coelhos, Brasil, 2012)

049 - Dois Dias, uma Noite (Deux Jours, une Nuit, Bélgica | França | Itália, 2014)

050 - Dragões da Violência (Forty Guns, Estados Unidos, 1957)

051 - Duelo Silencioso (Shizukanaru Kettô, Japão, 1949)

052 - Dúvida (Doubt, Estados Unidos, 2008)

053 - E aí, Meu Irmão, Cadê Você? (O Brother, Where Art Thou?, Reino Unido | França | Estados Unidos, 2000)


055 - Elite de Assassinos (The Killer Elite, Estados Unidos, 1975)

056 - Em Trânsito (Em Trânsito, Brasil, 2013)

057 - Enigma para Demônios (Enigma para Demônios, Brasil, 1975)

058 - Era uma Vez em Tóquio (Tôkyô Monogatari, Japão, 1953)

059 - Esculacho (Esculacho, Brasil, 2013)

060 - Espantalho (Scarecrow, Estados Unidos, 1973)

061 - Estranho Mundo de Jack, O (The Nightmare Before Christmas, Estados Unidos, 1993)

062 - Exterminador do Futuro, O (The Terminator, Reino Unido | Estados Unidos, 1984)

063 - Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, O (Terminator 2: Judgment Day, Estados Unidos | França, 1991)

064 - Fargo - Uma Comédia de Erros (Fargo, Estados Unidos | Reino Unido, 1996)

065 - Festa de Família (Festen, Dinamarca | Suécia, 1998)

066 - Filho Único (Hitori Musuko, Japão, 1936)

067 - Filme para Poeta Cego (Filme para Poeta Cego, Brasil | Cuba, 2012)

068 - Fotografia Oculta de Vivian Maier, A (Finding Vivian Maier, Estados Unidos, 2013)

069 - Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher, Estados Unidos, 2014)

070 - Frances Ha (Frances Ha, Estados Unidos, 2012)

071 - French Cancan (French Cancan, França | Itália, 1954)

072 - Frenesi (Frenzy, Reino Unido, 1972)

073 - Fúria Sanguinária (White Heat, Estados Unidos, 1949)

074 - Garota Exemplar (Gone Girl, Estados Unidos, 2014)

075 - Garoto de Bicicleta, O (Le Gamin au Vélo, Bélgica | França | Itália, 2011)

076 - Gigante de Ferro, O (The Iron Giant, Estados Unidos, 1999)

077 - Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador (What’s Eating Gilbert Grape, Estados Unidos, 1993)

078 - Grande Ilusão, A (La Grande Illusion, França, 1937)

079 - Guarda-Chuvas do Amor, Os (Les Parapluies de Cherbourg, França | Alemanha Ocidental, 1964)

080 - Gunga Din (Gunga Din, Estados Unidos, 1939)

081 - Halloween - A Noite do Terror (Halloween, Estados Unidos, 1978)

082 - Heróis Esquecidos (The Roaring Twenties, Estados Unidos, 1939)

083 - História Real, Uma (The Straight Story, França | Reino Unido | Estados Unidos, 1999)

084 - Homem das Multidões, O (O Homem das Multidões, Brasil, 2013)

085 - Homem Morto (Dead Man, Estados Unidos | Alemanha | Japão, 1995)

086 - Homem que Amava as Mulheres, O (L’Homme qui Aimait les Femmes, França, 1977)

087 - Hora Mágica, A (A Hora Mágica, Brasil, 1999)

088 - Ida (Ida, Polônia | Dinamarca | França | Reino Unido, 2013)

089 - Imagens (Images, Reino Unido | Estados Unidos, 1972)

090 - Implacáveis: Fuga Perigosa, Os (The Getaway, Estados Unidos, 1972)

091 - Inimigo Público (The Public Enemy, Estados Unidos, 1931)


093 - Inquilino, O (Le Locataire, França, 1976)

094 - Intendente Sanshô, O (Sanshô Dayû, Japão, 1954)

095 - Interestelar (Interstellar, Estados Unidos | Reino Unido | Canadá, 2014)

096 - Invenção de Hugo Cabret, A (Hugo, Estados Unidos, 2011)

097 - Irmãos Cara de Pau, Os (The Blues Brothers, Estados Unidos, 1980)


099 - Irmãs Diabólicas (Sisters, Estados Unidos, 1973)

100 - Janela Indiscreta (Rear Window, Estados Unidos, 1954)

101 - Jogo da Imitação, O (The Imitation Game, Reino Unido | Estados Unidos, 2014)

102 - Juiz, O (The Judge, Estados Unidos, 2014)

103 - Juno (Juno, Estados Unidos, 2007)

104 - Juventude sem Arrependimento (Waga Seishun ni Kuinashi, Japão, 1946)

105 - Kill Bill: Volume 1 (Kill Bill: Vol. 1, Estados Unidos, 2003)

106 - Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, Estados Unidos, 1955)

107 - Leviatã (Leviafan, Rússia, 2014)

108 - Libertador (Libertador, Venezuela | Espanha, 2013)

109 - Lira do Delírio, A (A Lira do Delírio, Brasil, 1978)

110 - Livre (Wild, Estados Unidos, 2014)

111 - Lobo atrás da Porta, O (O Lobo atrás da Porta, Brasil, 2013)

112 - Locke (Locke, Reino Unido | Estados Unidos, 2013)

113 - Lucia de B. (Lucia de B., Holanda | Suécia, 2014)

114 - Lucy (Lucy, França, 2014)

115 - Magia ao Luar (Magic in the Moonlight, Estados Unidos | Reino Unido, 2014)


117 - Maldição do Demônio, A (La Maschera del Demonio, Itália, 1960)

118 - Manuscrito de Saragoça, O (Rekopis Znaleziony w Saragossie, Polônia, 1965)

119 - Mapas para as Estrelas (Maps to the Stars, Canadá | Alemanha | França | Estados Unidos, 2014)

120 - Médico e o Monstro, O (Dr. Jekyll and Mr. Hyde, Estados Unidos, 1931)

121 - Mocidade de Lincoln, A (Young Mr. Lincoln, Estados Unidos, 1939)

122 - Morro dos Ventos Uivantes, O (Wuthering Heights, Estados Unidos, 1939)

123 - Mortos Caminham, Os (Merrill’s Marauders, Estados Unidos, 1962)

124 - Mulher faz o Homem, A (Mr. Smith Goes to Washington, Estados Unidos, 1939)

125 - Mulheres, As (The Women, Estados Unidos, 1939)

126 - Mundo é uma Cabeça, O (O Mundo é uma Cabeça, Brasil, 2004)

127 - Música de Gion, A (Gion Bayashi, Japão, 1953)

128 - Mutantes, Os (Os Mutantes, Brasil, 1970)

129 - No Tempo das Diligências (Stagecoach, Estados Unidos, 1939)

130 - Noite do Espantalho, A (A Noite do Espantalho, Brasil, 1974)

131 - Nos Domínios do Terror (Twice-Told Tales, Estados Unidos, 1963)

132 - Nova Dubai (Nova Dubai, Brasil, 2014)

133 - Nova Saga do Clã Taira, A (Shin Heike Monogatari, Japão, 1955)


135 - Olhos sem Rosto, Os (Les Yeux sans Visage, França | Itália, 1960)

136 - Operação Big Hero (Big Hero 6, Estados Unidos, 2014)

137 - Ouvir o Rio (Ouvir o Rio, Brasil, 2013)

138 - Pai e Filha (Banshun, Japão, 1949)

139 - Para Sempre Alice (Still Alice, Estados Unidos | França, 2014)

140 - Paraíso Infernal, O (Only Angels Have Wings, Estados Unidos, 1939)

141 - Paris, Texas (Paris, Texas, Alemanha Ocidental | França | Reino Unido, 1984)

142 - Parque Soviético (Parque Soviético, Brasil, 2013)

143 - Passageiro - Profissão: Repórter, O (Professione: Reporter, Itália | Espanha | França, 1975)

144 - Pequeno Nicolau, O (Le Petit Nicolas, França | Bélgica, 2009)

145 - Performance (Performance, Reino Unido, 1970)

146 - Pickpocket - O Batedor de Carteiras (Pickpocket, França, 1959)

147 - Portal do Inferno (Jigokumon, Japão, 1953)

148 - Priscilla, a Rainha do Deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert, Austrália | Reino Unido, 1994)

149 - Profecia, A (The Omen, Estados Unidos | Reino Unido, 1976)

150 - Profundo Desejo dos Deuses, O (Kamigami no Fukaki Yokubô, Japão, 1968)

151 - Proibido! (Verboten!, Estados Unidos, 1959)

152 - Pusher (Pusher, Dinamarca, 1996)

153 - Quadrophenia (Quadrophenia, Reino Unido, 1979)

154 - Queda da Casa de Usher, A (La Chute de la Maison Usher, França, 1928)

155 - Rocco e seus Irmãos (Rocco e i suoi Fratelli, Itália | França, 1960)

156 - Rota ABC (Rota ABC, Brasil, 1991)

157 - Rotina tem seu Encanto, A (Sanma no Aji, Japão, 1962)

158 - Sangue de Artista (Babes in Arms, Estados Unidos, 1939)


160 - Selma: Uma Luta pela Igualdade (Selma, Reino Unido | Estados Unidos, 2014)

161 - Selvagem da Motocicleta, O (Rumble Fish, Estados Unidos, 1983)

162 - Serra (Serra, Brasil, 2013)

163 - Sete Suspeitos, Os (Clue, Estados Unidos, 1985)

164 - Sexo, Drogas e Impostos (Spies & Glistrup, Dinamarca, 2013)

165 - Sniper Americano (American Sniper, Estados Unidos, 2014)

166 - Sob a Pele (Under the Skin, Reino Unido | Estados Unidos | Suíça, 2013)


168 - Solaris (Solyaris, União Soviética, 1972)

169 - Som Diferente, Um (Pump Up the Volume, Canadá | Estados Unidos, 1990)

170 - Sono de Inverno (Kis Uykusu, Turquia | França | Alemanha, 2014)

171 - Space Jam - O Jogo do Século (Space Jam, Estados Unidos, 1996)

172 - Suspiria (Suspiria, Itália, 1977)

173 - Tangerinas (Mandariinid, Estônia | Geórgia, 2013)

174 - Teoria de Tudo, A (The Theory of Everything, Reino Unido, 2014)

175 - Terra de Ninguém (Badlands, Estados Unidos, 1973)

176 - Tokyo-Ga (Tokyo-Ga, Estados Unidos | Alemanha Ocidental, 1985)

177 - Tomboy (Tomboy, França, 2011)

178 - Tommy (Tommy, Reino Unido, 1975)

179 - Trágica Obsessão (Obsession, Estados Unidos, 1976)

180 - Trash Humpers (Trash Humpers, Estados Unidos | Reino Unido | França, 2009)

181 - Três Mulheres (3 Women, Estados Unidos, 1977)

182 - Triunfo (Triunfo, Brasil, 2014)

183 - Ulime (Ulime, Cabo Verde, 2010)


185 - Último Metrô, O (Le Dernier Métro, França, 1980)

186 - Van Gogh (Van Gogh, França, 1991)

187 - Viagem à Lua (Le Voyage dans la Lune, França, 1902)

188 - Vida de Casado (Meshi, Japão, 1951)

189 - Vida de O’Haru, A (Saikaku Ichidai Onna, Japão, 1952)

190 - Virunga (Virunga, Reino Unido | Congo, 2014)

191 - Visitante, O (The Visitor, Estados Unidos, 2007)

192 - Vitória Amarga (Dark Victory, Estados Unidos, 1939)

193 - Você vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos (You Will Meet a Tall Dark Stranger, Estados Unidos | Espanha, 2010)

194 - Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, Estados Unidos, 2014)

195 - You Rock My World (You Rock My World, Estados Unidos, 2001)

196 - Zombie - O Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, Itália | Estados Unidos, 1978)

*"At the Circus" (1939) de Edward Buzzell - Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) [us]

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Três Assim #5 | Cineastas que se Dirigem

Maio ficou marcado para os amantes do Cinema como o mês em que se comemorou o centenário de um de seus maiores ícones: o cineasta estadunidense Orson Welles.

Gênio e por muitas vezes controverso, Welles tinha o costume de atuar em quase todos os filmes que dirigia, abruptas consequências de uma personalidade forte. As intermináveis pressões que sofria por parte dos estúdios pelos quais trabalhou ao longo de sua conturbada carreira como realizador fizeram com que ele não abrisse mão de ter um maior controle em todas as suas produções.

O refúgio intelectual que Orson Welles buscava para escapar dessa desgastante situação era, simplesmente, a concentração de toda a sua força criativa na produção dos longas. O diretor colocava o máximo de seu talento em cada um dos trabalhos, conjugando as suas magistrais direções com as melancólicas interpretações que, geralmente, assumiam o papel de protagonismo. Reflexo exemplar disso é o clicherizado (porém, trivial) vislumbro esmagador que “Cidadão Kane” (1941) representou para a História do Cinema.

O artigo sobre o centenário de Orson Welles pode ser conferido clicando AQUI.

Aproveitando o ensejo, o Rotina Cinemeira indicará para o seu fim de semana três filmes de diretores que, assim como Orson Welles, tinham e ainda tem o costume de se dirigir, empregando em suas obras toda a singularidade e originalidade do cinema de autor muito embora sejam, por vezes, retalhados ou criticados pelos grandes estúdios da indústria cinematográfica.

Presenciar diretores que aparecem em seus próprios filmes é tão antigo quanto o próprio Cinema: Georges Méliès, por exemplo, ainda no início do Século XX produzia, orquestrava e ainda atuava em todas as suas verdadeiras obras de arte (tudo ao mesmo tempo!); já Alfred Hitchcock era famoso pelas “aparições relâmpago” em quase todos os filmes que dirigiu, embora nunca tenha chegado a atuar efetivamente.

Entre os cineastas contemporâneos temos Quentin Tarantino, que sempre nos brinda com pequenas, porém especiais aparições em alguns dos seus longas, com destaque para o Mr. Brown de “Cães de Aluguel” (1992) e o desesperadamente hilário Jimmie Dimmick de “Pulp Fiction - Tempo de Violência” (1994). Há também aqueles atores que em projetos pessoais e ambiciosos se dirigiram e conquistaram o seu espaço entre os maiores realizadores do mundo, como é o caso de Kevin Costner por “Dança com Lobos” (1990) e Mel Gibson por “Coração Valente” (1995).

Entretanto, o ponto principal aqui é destacar aqueles diretores que rotineiramente tem o costume de atuar em seus filmes, bem como Méliès (quase que “primitivamente”), Welles (excentricamente) e Charles Chaplin, que ainda não havia sido citado, mas é um dos pioneiros na grandiosa arte de roteirizar, produzir, dirigir e, ainda por cima, estrelar os próprios filmes. Confira agora as nossas dicas e recomendações:

Meu Tio (Mon Oncle, França | Itália, 1958)

Direção: Jacques Tati

Jacques Tati foi o gênio das comédias francesas e, assim como Chaplin, tinha em Monsieur Hulot o seu Carlitos. Hulot é uma persona carismática que, embora bem-aventurada e conservadora, está sempre condenada a fazer as coisas erradas desencadeando uma série de situações patéticas e atrapalhadas. Ao todo, Tati dirigiu oito filmes em sua carreira, dos quais metade tiveram como protagonista o seu personagem mais famoso.

A explosão de humor observada em “Meu Tio” é canalizada na excêntrica personalidade de Monsieur Hulot, uma espécie de herói contumaz que em visita ao Senhor e à Senhora Arpel (Jean-Pierre Zola e Adrienne Servantie) - seu cunhado e sua irmã, respectivamente - se encontra estranhado ao deparar-se com um mundo completamente dependente da alta tecnologia. Os Arpel vivem em uma casa ultramoderna, limpa e desinfeta e ainda se orgulham de possuírem um belo jardim, além de equipamentos domésticos de última geração.

Em meio a este universo futurista bem programado, aparentemente pacato e repleto de conforto encontramos Gerard (Alain Bécourt), o aborrecido filho do casal Arpel, entediado com a falta de emoções em sua monótona vida. Habituado ao mundo caloroso e receptivo de onde veio, Monsieur Hulot permanece inadaptado às modernidades, mesmo recebendo do Senhor Arpel um cargo em sua fábrica de tubos plásticos. Para o delírio de seu sobrinho, que tem o mesmo espírito livre e sonhador do tio, Hulot vai colocar tudo de pernas pera o ar nessa deleitável sátira à vida mecanizada.

Dirigindo e atuando, Tati ainda interpreta Monsieur Hulot em mais três ocasiões: “As Férias do Senhor Hulot” (1953), “Playtime - Tempo de Diversão” (1967) e “As Aventuras de Senhor Hulot no Tráfego Louco” (1971).

"Mon Oncle" (1958) de Jacques Tati - Gaumont Distribution [fr] | Specta Films [fr] | Gray-Film [fr] | Alter Films [fr]

O Estranho sem Nome (High Plains Drifter, Estados Unidos, 1973)

Direção: Clint Eastwood

Frente às câmeras, personalidade forte, espontaneidade e talento genuíno, despejando em todos os seus papéis aquela típica e sórdida canalhice; atrás delas, presteza nos processos de produção e atenção nos bastidores das filmagens. Clint Eastwood tem o cinema em seu DNA, e sua experiência como um ícone máximo do western spaghetti e astro dos principais filmes de ação das décadas de 70 e 80 nos Estados Unidos acabaram por credenciá-lo como um dos maiores entendidos da sétima arte e figura respeitada em Hollywood.

Eastwood trabalhou com diretores renomados dos dois gêneros citados anteriormente (dentre eles Brian G. Hutton, Don Sigel, Joshua Logan e Ted Post) e tem empregada, em muitos de seus filmes, um pouco da filosofia cinematográfica de cada um desses cineastas, inclusive em seus filmes mais premiados: “Os Imperdoáveis” (1992) e “Menina de Ouro” (2004). Durante a sua carreira como diretor acabou criando em alguns de seus filmes, de maneira praticamente transgressora, variações para o pistoleiro solitário que ele mesmo deu vida na “Trilogia dos Dólares” (1964 - 1966) de Sérgio Leone.

Em “O Estranho sem Nome”, Eastwood interpreta mais uma vez um misterioso bandoleiro que, montado em seu cavalo, chega à pequena cidade mineradora de Lago provocando alvoroço entre os moradores e causando espanto pela sua frieza. Impressionadas com as intrépidas atitudes do forasteiro, as autoridades locais decidem contratá-lo a qualquer preço para proteger o povoado de Stacey Bridges (Geoffrey Lewis) e seus primos, os irmãos Carlin (Anthony James e Dan Vadis).

Os três “foras da lei” estão prestes a deixar a prisão e retornarão à Lago para iniciar uma série de vinganças contra todo o povoado que, um ano antes, precisou do serviço do trio para assassinar de maneira covarde o delegado Jim Duncan (Buddy Van Horn), que relataria para as autoridades federais que a mina local explorada pelos moradores era, na realidade, de propriedade do Estado. “O Estranho”, personagem de Eastwood, aceita a proposta e, agindo como uma espécie de justiceiro sobrenatural, modificará de maneira definitiva e aterradora a vida de todos: bandidos, poderosos e a população em geral.

"High Plains Drifter" (1973) de Clint Eastwood - Universal Pictures [us] | The Malpaso Company [us]

Desconstruindo Harry (Deconstructing Harry, Estados Unidos, 1997)

Direção: Woody Allen

Comediante de palco e roteirista de alguns dos melhores programas de humor e telefilmes da Televisão dos Estados Unidos, Woody Allen teve o seu primeiro roteiro original adaptado para o cinema em “O que é que Há, Gatinha?” (1965). O projeto foi dirigido por Clive Donner e Richard Talmadge e contava com o próprio Woody no elenco, que ainda era recheado pelo estrelismo de Peter Sellers, Peter O’Toole e Romy Schneider.

Woody Allen ficou insatisfeito com a experiência e se irritou muito com as interferências e alterações que o estúdio fazia em seu texto (à época, a pequena Famous Artists Productions). A partir desse momento, ficou decidido que ele próprio dirigiria os seus roteiros e com total controle criativo sobre a produção e as filmagens. Já no ano seguinte foi lançado “O que Há, Tigresa?” (1966) com pequeno e relativo sucesso.

Em um curtíssimo espaço de tempo, Woody Allen já se consolidava como um dos maiores cineastas da indústria hollywoodiana, emplacando uma série de sucessos onde além de dirigir, também atuava. Dentre os filmes relevantes podemos destacar “Bananas” (1971), “O Dorminhoco” (1973), “A Última Noite de Bóris Grushenko” (1975) e, por fim, “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977), filme que rendeu à Woody Allen a única indicação ao Oscar na categoria de Melhor Ator.

Alternando entre atuar ou não atuar em seus filmes Woody Allen vem, desde 1982, lançando ao menos um filme por ano nos cinemas. Em meio a este período vemos um de seus melhores trabalhos, “Desconstruindo Harry” (1997), onde o próprio diretor dá vida a Harry Block, um escritor que sofre de um grave distúrbio psicológico que o faz ter sérios problemas de relacionamento com as pessoas que estão ao seu redor. Aguardando a concessão para publicar o seu próximo livro, Block começa a desenvolver a desagradável mania de utilizar, de maneira muito discreta, fatos da sua própria vida como fonte de inspiração para a composição de sua obra, isso inclui particularidades sobre familiares, amigos e conhecidos.

Harry, na verdade, está acometido pelo “bloqueio de escritor” e, ao mesmo tempo em que causa uma série de confusões irritando todas as pessoas de seu círculo de convívio próximo, ele é forçado a enfrentar (de maneira literal) os seus próprios demônios, lembrando de acontecimentos do passado e reencontrando com alguns personagens de seus best-sellers (sejam eles reais ou fictícios) que voltam para assombrá-lo.

Enfim, o ser humano e seus carmas...

"Deconstructing Harry" (1997) de Woody Allen - Sweetland Films | Jean Doumanian Productions [us]

É ISSO... BOM FIM DE SEMANA E BOAS SESSÕES!

Observação: assim como o Harry Block de Woody Allen, o redator deste texto sofreu muito com bloqueios criativos para escrever o artigo. Depois de quase uma semana sem poder escrever para o Rotina Cinemeira, encaro e defino como “árdua” a missão de voltar escrever neste espaço. Não me deixem perder o fôlego e, se possível, continuem compartilhando as minhas impressões sobre essa maravilha que é o Cinema!

Obrigado.