sábado, 7 de março de 2015

Memórias #4 | Albert Maysles (1926 - 2015)

Albert Maysles tinha o costume de dizer que “a disposição natural da câmera é buscar a realidade”. Falecido na noite desta última quinta-feira, o cineasta já era considerado, em vida, um lendário documentarista, um dos maiores expoentes do chamado “cinema verdade”.

Ao longo de 60 anos, Maysles criou filmes inovadores e com temáticas extremamente interessantes. Sempre trabalhando no gênero de não ficção, o diretor não se utilizava de narrações e muito menos obedecia roteiros pré-determinados. Ele ainda dispensava a entrevista direta com suas personagens e tinha o mundo como seu único cenário. Na sua opinião, toda e qualquer pessoa disposta a filmar um documentário deveria ter o compromisso e a obrigação de dizer a verdade ao invés de tentar “manter o controle” das coisas.

Albert Maysles (1926 - 2015) - Maysles Films [us] | mayslesfilms.com

Grande parte de sua brilhante trajetória foi construída ao lado do irmão David Maysles, falecido em 1987. Juntos filmaram grandes preciosidades que podem ser, naturalmente, encaixadas na lista dos maiores documentários da história do cinema, com grande destaque para “Salesman” (1968) e “Grey Gardens” (1975). Entretanto, “The Rolling Stones - Gimme Shelter” (1970) é o grande feito da dupla. O filme documenta o trágico desfecho da caótica turnê de shows dos Rolling Stones no ano de 1969, com destaque para o angustiante concerto final em Altamont, estado da Califórnia.

Com 88 anos, o diretor ainda estava na ativa e deixou uma obra inédita. “Em Trânsito” está em fase de pós-produção e tem estreia prevista ainda para este ano. O filme é uma parceria de Maysles com os cineastas Lynn True e Nelson Walker III e acompanha uma jornada da Empire Builder, a rota de trens de longa distância mais movimentada dos Estados Unidos. A viagem acaba por revelar um honesto retrato do país através da vida de seus passageiros.

Responsável por captar e eternizar grandes parcelas do que há de doce e amargo nas historietas da humanidade, a lenda Albert Mayles agora descansa em paz... (1926 - 2015)

Dez filmes dirigidos por Albert Maysles que indico (em ordem de predileção):

01 - The Rolling Stones - Gimme Shelter (1970)

02 - Salesman - Caixeiro-Viajante (1968)

03 - Get Yer Ya-Ya’s Out! (2009)

04 - Grey Gardens (1975)

05 - Meet Marlon Brando (1966)

06 - The Beatles: The First U.S. Visit (1991)

07 - Orson Welles in Spain (1966)

08 - A Visit with Truman Capote (1966)

09 - Psychiatry in Russia (1955)

10 - Christo in Paris (1990)

"The Rolling Stones - Gimme Shelter" (1970) - Maysles Filmes [us] | Penforta [gb]

sexta-feira, 6 de março de 2015

Cine Humberto Mauro exibe a partir desta sexta a Mostra “Cinema Japonês - Parte I” | Rotina em Belo Horizonte

Tem início hoje, no Cine Humberto Mauro em Belo Horizonte, a Mostra “Cinema Japonês – Parte I”. Ao todo serão exibidos, até o dia 26 de março, 19 filmes que darão início à revisão de uma das cinematografias mais belas e inventivas do cinema mundial.

O recorte proposto neste primeiro momento contemplará produções realizadas nas décadas de 50 e 60, época gloriosa e dignificante não só para o cinema como para toda a cultura nipônica. Movidos pelo desejo imediato de reconstrução da identidade de um país devastado por inúmeros conflitos e pelos ataques nucleares da Segunda Guerra Mundial, o povo japonês manteve a sua honra e passou a tratar, em um inédito diálogo com o ocidente, questões tradicionais da sua vida cotidiana de maneira universal.

Através da parceria firmada entre a Fundação Clóvis Salgado, com a Fundação Japão e o Consulado Geral Honorário do Japão em Belo Horizonte, foi possível reunir obras de cineastas consagrados como Akira Kurosawa, Mikio Naruse, Shôei Imamura e Masaki Kobayashi. O que torna o evento ainda mais interessante para o público é que todos as projeções serão em película (16mm e 35mm), formato cada vez mais raro nas salas de cinema do Brasil, infelizmente.

Toshirô Mifune em "Shizukanaru Kettô" (1949) de Akira Kurosawa
Daiei Motion Picture Company [jp] | Daiei Studios [jp] | Film Art Association [jp]

Ainda dentro do programa da Mostra, dois dos cineastas mais importantes deste período serão homenageados com dias especiais destinados a exibição de seus filmes mais emblemáticos. Yasujirô Ozu, cineasta famoso por retratar de forma admirável a ordinária vida cotidiana, terá nos dias 7 e 8 de março cinco de seus mais importantes longas reproduzidos: “Filho Único” (1938), “Pai e Filha” (1949), “Era uma Vez em Tóquio” (1953), “Fim de Verão” (1961) e “A Rotina tem seu Encanto” (1962).

Já nos dias 10 e 11 de março o homenageado é Kenji Mizoguchi, famoso por abordar temáticas universais refletidas pela a tradição oriental nos núcleos familiares e na sociedade japonesa em geral. Foram selecionados para as datas: “A Vida de O’Haru” (1952), “Contos da Lua Vaga” (1953), “A Música de Gion” (1953), “O Intendente Sanshô” (1954), “Os Amantes Crucificados” (1954) e “A Nova Saga do Clã de Taira” (1955).

A programação completa está disponível no site da Fundação Clóvis Salgado (fcs.mg.gov.br) ou pode ser acessada diretamente pelo link "Cinema Japonês - Parte I"

A entrada é gratuita, mas é necessário retirar os ingressos na bilheteria do cinema meia hora antes de cada sessão.

O Cine Humberto Mauro está localizado no Palácio das Artes, na Avenida Afonso Pena 1537, centro de Belo Horizonte.

Com base na programação divulgada pela gerência da casa, o Rotina Cinemeira selecionou e agora indica quatro filmes imperdíveis desta Mostra, confira:

De Onde se Avistam as Chaminés (Entotsu no Mieru Basho, Japão, 1953)

Direção: Heinosuke Gosho

Famoso por retratar a pobreza espiritual refletida na classe operária japonesa do pós-guerra, o romancista o Rinzo Shiina tem uma de suas principais obras adaptadas por Heinosuke Gosho. O filme acompanha, com um esperançoso senso de humor humanístico, a vida simples de dois casais que vivem na periferia de Tóquio. Por trás de uma aparente monotonia cotidiana, um complexo universo de sentimentos paradoxais é eclodido, evidenciando os tempos difíceis e amargos enfrentados pelo Japão.

Era uma Vez em Tóquio (Tôkyô Monogatari, Japão, 1953)

Direção: Yasujirô Ozu

Acompanhamos Tomi (Chieko Higashiyama) e Shukichi (Chishu Ryû), um casal de idosos que viaja para Tóquio com o propósito de visitar seus filhos e netos. Ao perceberem que recebem pouca ou nenhuma atenção da impaciente família, os dois são confrontados pela indiferença, pela ingratidão e pelo egoísmo que vem contaminando as grandes cidades. Carregado de realismo, o filme ainda traz uma profunda reflexão sobre a alienação associada ao envelhecimento e uma meditação insuportável e comovente sobre a mortalidade.

"Tôkyô Monogatari" (1953) de Yasujirô Ozu - Shôchiku Eiga [jp]

Portal do Inferno (Jigokumon, Japão, 1953)

Direção: Teinosuke Kinugasa

Em 1159, o General Kiyomori (Koreya Senda), senhor feudal do Japão da Era Heian, sofreu um golpe enquanto se deslocava com a sua corte. Em meio a esta revolta, Moritoo Endô (Kazuo Hasegawa), um dos leais samurais do grupo rebelde, está disposto a enfrentar todos os desafios e os valores impostos pela sociedade japonesa para conquistar Kesa (Machiko Kyô), uma mulher casada.

Contos da Lua Vaga (Ugetsu Monogatari, Japão, 1953)

Direção: Kenji Mizoguchi

No século XVI, durante a Guerra Civil Japonesa, Genjuro (Masayuki Mori) e seu cunhado Tobe (Eitaro Ozawa) viajam com as suas esposas rumo à capital da província onde vivem, nas proximidades do Lago Biwa. Genjuro tem o ofício de oleiro e Tobe o ajuda na comercializando as peças de cerâmica. Com o dinheiro da venda dos utensílios, os dois acabam tomando caminhos diferentes em busca de satisfazer os seus desejos. Tobe compra armas, torna-se um samurai e abandona a mulher. Já Genjuro continua com o seu trabalho, mas acaba se envolvendo com a enigmática Lady Wakasa (Machiko Kyô) quando vai lhe entregar algumas de suas mercadorias.


"Ugetsu Monogatari" (1953) - de Kenji Mizoguchi - Daiei Studios [jp]

terça-feira, 3 de março de 2015

Identidade Nacional #1 | Estrada da Vida (1983)

O Rotina Cinemeira foi criado para discutir a Sétima Arte em geral: divulgando mostras, redescobrindo clássicos, reverenciando lendas, dentre outros tópicos.

A morte do cantor José Rico no final desta tarde acabou nos pegando de surpresa. Sempre acostumado a prestar homenagens a pessoas que admiro (sobretudo em minhas contas pessoais nas redes sociais), pensei se caberia uma lembrança aqui neste espaço.

Se descontarmos os filmes em que as músicas de Milionário e José Rico compunham alguma trilha sonora, a carreira cinematográfica da dupla fica limitada a dois longas-metragens. Dessa forma, uma descrição do trabalho e da contribuição de José Rico ao cinema na coluna “Memórias” não seria tão interessante. Partindo deste ponto, é importante dizer que uma das principais motivações para a criação do canal é destacar, ao longo de seus inúmeros artigos, a importância de se preservar a origem e a identidade do Cinema Brasileiro.

A ideia principal ainda está sendo amadurecida mas, movida pela morte de um ícone da nossa cultura popular e motivada pela trajetória que o Rotina Cinemeira buscará ao longo da sua existência, inaugura-se, com certa prematuridade, a coluna que a partir de hoje será a responsável por valorizar e eternizar o Nosso Cinema!

José Rico (à esquerda) ao lado de seu parceiro Milionário em "Estrada da Vida" (1983)
Cinemateca Brasileira | Banco de Conteúdos Culturais

Com título homônimo ao maior sucesso da carreira de Milionário e José Rico, “Estrada da Vida” não se configura como nenhuma obra-prima (razão pela qual a publicação também não pôde ser encaixada na coluna semanal “Sempre um Clássico”), mas vale ser visto por se tratar de uma preciosidade do Cinema Nacional. Com uma direção despojada do magistral Nelson Pereira dos Santos, o filme tem na objetividade a sua maior virtude.

Realizado em 1983, época em que não só o cinema, mas todos os setores do país passavam por uma grave crise econômica, o longa não possuía grandes pretensões (artísticas ou de arrecadação) à época de seu lançamento. Sustentada pela mais pura singeleza de seu roteiro, “Estrada da Vida” surgia com uma proposta simples: contar a história da consolidação do sucesso de uma dupla sertaneja no país.

Outro ponto positivo é que Nelson Pereira dos Santos renuncia às emoções exageradas e não vemos em seu filme um excesso de carga dramática como pudemos observar em títulos mais recentes, porém com a mesma temática. “Dois Filhos de Francisco” (2005) e “O Menino da Porteira” (2009), por exemplo, estão repletos de sofrimento e flutuam por um campo onde o controle dos impulsos extrapola o campo do compassível. “Estrada da Vida”, por sua vez, está apoiada na filosofia naturalista, na vida cotidiana e na superação dos obstáculos para sobreviver.

A dupla Milionário e José Rico é formada por um mineiro e um pernambucano, humildes pintores de parede que se encontraram no início da década de 70 em São Paulo. Com o auge da industrialização do Brasil compreendido entre os anos 50 e 80, vemos a capital paulista como o cenário lógico para o drama de milhares de migrantes brasileiros sempre carregados de esperança, embora constantemente sufocados pela tristeza e rodeados pelo concreto, pelo asfalto e pela poluição.

Cantando o povo para o povo, os amigos realizaram o grande sonho da vida: na esperança de serem campeões correram sem parar e, enfim, alcançaram o primeiro lugar!

"Estrada da Vida" (1983) - Cinemateca Brasileira | Banco de Conteúdos Culturais

Apesar da “pobreza” na estética e na produção de forma geral o filme merece ser conferido, seja pelos valores sentimentais ou pela simples curiosidade de conhecer e admirar uma das mais sólidas e honestas parcerias da nossa música sertaneja.

Infelizmente o cinema popular acabou enfraquecido e, por muitas vezes, alguns títulos acabaram esquecidos no Brasil. É muito difícil encontrar uma cópia de “Estrada da Vida”, por exemplo, mas vale a pena correr atrás do material. No Youtube o filme está disponível em pequenos trechos editados e numerados de 1 a 10, mas esses cortes fazem com que alguns minutos acabem sendo perdidos (falta a parte 6, inclusive). Logo abaixo, seguem os minutos iniciais do longa:



Observação: “Estrada da Vida” possui uma continuação, “Sonhei com Você” (outro título homônimo a um sucesso da dupla) de 1988 dirigido por Ney Santana, filho de Nelson Pereira dos Santos. Este último pode ser encontrado completo no site de compartilhamento de vídeos, disponível diretamente pelo link https://www.youtube.com/watch?v=J2K-3hAbNaw

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Vistos e Revistos em 2015 #fevereiro

A média está alta! Mas, infelizmente tende a baixar a partir de agora (espero que não!).

Janeiro foi um mês de muitos dias livres e fevereiro, impulsionado pela corrida para assistir a todos os filmes indicado ao Oscar antes da cerimônia, mantive uma rotina “propensamente” viciosa.

Lembro que indico todos os filmes que assisto. Cada um deles, por pior que seja, tem direito a uma indicação, simplesmente pela proposta à experiência da degustação cinematográfica. Uma vez ou outra (no caso, quase sempre) o que agrada aos olhos de um pode não agradar aos olhos de todos os outros.

Observação: os filmes em destaque na lista a seguir possuem perfil e crítica na sessão “Sempre um Clássico”, é só clicar e conferir!

A seguir compartilho com todos os 87 filmes já apreciados em 2015:

001 - Abominável Doutor Phibes, O (The Abominable Dr. Phibes, Reino Unido | Estados Unidos, 1971)

002 - Abutre, O (Nightcrawler, Estados Unidos, 2014)

003 - Além da Fronteira (Out in the Dark, Israel | Estados Unidos, 2012)

004 - Alien, o Oitavo Passageiro (Alien, Estados Unidos | Reino Unido, 1979)

005 - Anabazys - O Terceiro Testamento de Glauber Rocha (Anabazys, Brasil, 2007)

006 - Atire a Primeira Pedra (Destry Rides Again, Estados Unidos, 1939)

007 - Ao Rufar dos Tambores (Drums Along the Mohawk, Estados Unidos, 1939)

008 - Batman (Batman, Estados Unidos | Reino Unido, 1989)

009 - Beau Geste (Beau Geste, Estados Unidos, 1939)

010 - Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance), Estados Unidos | Canadá, 2014)

011 - Boxtrolls, Os (The Boxtrolls, Estados Unidos, 2014)

012 - Caminhos da Floresta (Into the Woods, Estados Unidos | Reino Unido | Canadá, 2014)

013 - Carícia Fatal (Ratos e Homens) (Of Mice and Men, Estados Unidos, 1939)

014 - Como Treinar o seu Dragão 2 (How to Train your Dragon 2, Estados Unidos, 2014)

015 - Conto da Princesa Kaguya, O (Kaguyahime no Monogatari, Japão, 2013)

016 - Corcunda de Notre Dame, O (The Hunchback of Notre Dame, Estados Unidos, 1939)

017 - Desconstruindo Harry (Deconstructing Harry, Estados Unidos, 1997)

018 - Deserto Azul (Deserto Azul, Brasil | Chile, 2013)

019 - Dois Dias, uma Noite (Deux Jours, une Nuit, Bélgica | França | Itália, 2014)

020 - Dúvida (Doubt, Estados Unidos, 2008)

021 - Em Trânsito (Em Trânsito, Brasil, 2013)

022 - Estranho Mundo de Jack, O (The Nightmare Before Christmas, Estados Unidos, 1993)

023 - Exterminador do Futuro, O (The Terminator, Reino Unido | Estados Unidos, 1984)

024 - Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, O (Terminator 2: Judgment Day, Estados Unidos | França, 1991)

025 - Fargo - Uma Comédia de Erros (Fargo, Estados Unidos | Reino Unido, 1996)

026 - Fotografia Oculta de Vivian Maier, A (Finding Vivian Maier, Estados Unidos, 2013)

027 - Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher, Estados Unidos, 2014)

028 - Frances Ha (Frances Ha, Estados Unidos, 2012)

029 - Garota Exemplar (Gone Girl, Estados Unidos, 2014)

030 - Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador (What’s Eating Gilbert Grape, Estados Unidos, 1993)

031 - Gunga Din (Gunga Din, Estados Unidos, 1939)

032 - Halloween - A Noite do Terror (Halloween, Estados Unidos, 1978)

033 - Heróis Esquecidos (The Roaring Twenties, Estados Unidos, 1939)

034 - Homem das Multidões, O (O Homem das Multidões, Brasil, 2013)

035 - Homem que Amava as Mulheres, O (L’Homme qui Aimait les Femmes, França, 1977)

036 - Ida (Ida, Polônia | Dinamarca | França | Reino Unido, 2013)

037 - Imagens (Images, Reino Unido | Estados Unidos, 1972)

038 - Inocentes, Os (The Innocents, Estados Unidos | Reino Unido, 1961)

039 - Inquilino, O (Le Locataire, França, 1976)

040 - Interestelar (Interstellar, Estados Unidos | Reino Unido | Canadá, 2014)

041 - Irmãos Marx no Circo, Os (At the Circus, Estados Unidos, 1939)

042 - Irmãs Diabólicas (Sisters, Estados Unidos, 1973)

043 - Janela Indiscreta (Rear Window, Estados Unidos, 1954)

044 - Jogo da Imitação, O (The Imitation Game, Reino Unido | Estados Unidos, 2014)

045 - Juiz, O (The Judge, Estados Unidos, 2014)

046 - Juno (Juno, Estados Unidos, 2007)

047 - Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, Estados Unidos, 1955)

048 - Leviatã (Leviafan, Rússia, 2014)

049 - Libertador (Libertador, Venezuela | Espanha, 2013)

050 - Livre (Wild, Estados Unidos, 2014)

051 - Locke (Locke, Reino Unido | Estados Unidos, 2013)

052 - Lucia de B. (Lucia de B., Holanda | Suécia, 2014)

053 - Lucy (Lucy, França, 2014)

054 - Magia ao Luar (Magic in the Moonlight, Estados Unidos | Reino Unido, 2014)

055 - Mocidade de Lincoln, A (Young Mr. Lincoln, Estados Unidos, 1939)

056 - Morro dos Ventos Uivantes, O (Wuthering Heights, Estados Unidos, 1939)

057 - Mulher faz o Homem, A (Mr. Smith Goes to Washington, Estados Unidos, 1939)

058 - Mulheres, As (The Women, Estados Unidos, 1939)

059 - No Tempo das Diligências (Stagecoach, Estados Unidos, 1939)

060 - Operação Big Hero (Big Hero 6, Estados Unidos, 2014)

061 - Ouvir o Rio (Ouvir o Rio, Brasil, 2013)

062 - Para Sempre Alice (Still Alice, Estados Unidos | França, 2014)

063 - Paraíso Infernal, O (Only Angels Have Wings, Estados Unidos, 1939)

064 - Parque Soviético (Parque Soviético, Brasil, 2013)

065 - Passageiro - Profissão: Repórter, O (Professione: Reporter, Itália | Espanha | França, 1975)

066 - Profecia, A (The Omen, Estados Unidos | Reino Unido, 1976)

067 - Sangue de Artista (Babes in Arms, Estados Unidos, 1939)


069 - Selma: Uma Luta pela Igualdade (Selma, Reino Unido | Estados Unidos, 2014)

070 - Serra (Serra, Brasil, 2013)

071 - Sniper Americano (American Sniper, Estados Unidos, 2014)

072 - Sob a Pele (Under the Skin, Reino Unido | Estados Unidos | Suíça, 2013)


074 - Sono de Inverno (Kis Uykusu, Turquia | França | Alemanha, 2014)

075 - Space Jam - O Jogo do Século (Space Jam, Estados Unidos, 1996)

076 - Suspiria (Suspiria, Itália, 1977)

077 - Tangerinas (Mandariinid, Estônia | Geórgia, 2013)

078 - Teoria de Tudo, A (The Theory of Everything, Reino Unido, 2014)

079 - Trágica Obsessão (Obsession, Estados Unidos, 1976)

080 - Trash Humpers (Trash Humpers, Estados Unidos | Reino Unido | França, 2009)

081 - Triunfo (Triunfo, Brasil, 2014)

082 - Ulime (Ulime, Cabo Verde, 2010)


084 - Virunga (Virunga, Reino Unido | Congo, 2014)

085 - Vitória Amarga (Dark Victory, Estados Unidos, 1939)

086 - Você vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos (You Will Meet a Tall Dark Stranger, Estados Unidos | Espanha, 2010)

087 - Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, Estados Unidos, 2014)

"The Imitation Game" (2014) - Black Bear Pictures [us]

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Memórias #3 | Leonard Nimoy (1931 - 2015)

Leonard Nimoy era mais do que um astro da TV e do Cinema dos Estados Unidos. Sua figura, praticamente indissociável à de Mr. Spock de “Jornada nas Estrelas”, é eternizada como uma das mais icônicas da cultura pop mundial.

A despedida se torna ainda mais dolorosa porque Nimoy era uma personalidade muito estimada no meio artístico e a tinha uma gigantesca legião de fãs. Por anos, além de se dedicar ao mundialmente famoso Capitão Spock, o ator participou (pontualmente ou efetivamente) de muitos seriados de sucesso na televisão, dentre eles: “Dragnet”, “M Squad”, “Sea Hunt”, “Bonanza”, “Além da Imaginação”, “Os Intocáveis”, “Caravana”, “Gunsmoke” e “Missão Impossível”, todos compreendidos em um período que ficou conhecido como a “Primeira Era de Ouro da TV nos Estados Unidos”.

Leonard Nimoy como Spock em "Star Trek" - Paramount Television [us]

O que poucos sabem é que o ator também se deu muito bem atrás das câmeras. Nimoy teve uma carreira curta, porém interessante como diretor. Pela franquia de “Star Trek” dirigiu dois longas: “Jornada nas Estrelas III - À Procura de Spock” (1984) e “Jornada nas Estrelas IV - A Volta para Casa” (1986).

Entretanto, foram nas comédias que ele obteve certo êxito no cinema. Seu humor refinado, traduzido em uma direção despretensiosa, foi responsável por nos presentear com um dos maiores clássicos do gênero rodados nos Estados Unidos na década de 80: “Três Solteirões e um Bebê” (1987). Ainda entre esses trabalhos divertidos e de notável simplicidade destaco “As Coisas Engraçadas do Amor” (1990), com Gene Wilder e “Santo Matrimônio” (1994), com a recém laureada pelo Oscar Patricia Arquette.

Símbolo de uma indústria cultural poderosa, Nimoy viveu até os 83 anos e acabou fazendo jus à célebre frase de seu mais querido personagem: “Vida longa e próspera!”

Que agora descanse em paz... (1931 - 2015)

Dez filmes com Leonard Nimoy que indico (em ordem de predileção):

01 - Jornada nas Estrelas II - A Ira de Khan (1982) - de Nicholas Meyer

02 - Jornada nas Estrelas - O Filme (1979) - de Robert Wise

03 - Os Invasores de Corpos (1978) - de Philip Kaufman

04 - Never Forget (1991) - de Joseph Sargent

05 - O Balcão (1963) - de Joseph Strick

06 - No Rastro da Morte (1971) - de Sam Wanamaker

07 - Jornada nas Estrelas IV – A Volta para Casa (1986) - de Leonard Nimoy

08 - Kid Monk Baroni (1952) - de Harold D. Schuster

09 - Star Trek (2009) - de J. J. Abrams

10 - Jornada nas Estrelas VI - A Terra Desconhecida (1991) - de Nicholas Meyer

Leonard Nimoy com Donald Sutherland e Jeff Goldblum em "Invasion of the Body Snatchers" (1978) - Solofilm [us]

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Sempre um Clássico #3 | Sangue de Pantera (1942)

(Cat People, Estados Unidos, 1942). Dirigido por Jacques Tourneur e com roteiro de DeWitt Bodeen. Elenco: Simone Simon, Kent Smith, Tom Conway, Jane Randolph, Jack Holt, Alec Craig.

O arquiteto modernista alemão Ludwig Mies Van der Rohe pronunciou uma célebre frase que nos ensinava basicamente que “menos é mais” (“Less is more”). Na (por vezes) igualmente minimalista arte cinematográfica também podemos observar essa máxima, pontuando momentos em que a restrição técnica e a escassez de recursos foram responsáveis por edificar obras imponentes e poderosas. O maior exemplo talvez tenha ocorrido com um estúdio de pequeno a médio porte dos Estados Unidos, que, sem os mesmos recursos financeiros de seus grandes concorrentes, precisou se reinventar para não fechar as portas no início da década de 40.

Assim que o magnata estadunidense William Randolph Hearst comprou briga com Orson Welles por conta das filmagens de “Cidadão Kane” (1941), dificultando a sua posterior exibição, a RKO Radio Pictures começou a enfrentar uma grave crise financeira e necessitava, com urgência, de uma reformulação em suas atividades. No mesmo período, a Universal Pictures dominava, há mais de uma década, o mercado cinematográfico com os seus filmes de terror (desde “Drácula” e “Frankenstein”, ambos de 1931 até “O Lobisomem” de 1941), despontando como a maior produtora desse gênero.

Sem espaço para concorrência, a pequena RKO trouxe da gigante MGM o jovem e promissor roteirista Val Lewton para trabalhar na produção de Filmes B (filmes de baixo orçamento com retorno financeiro garantido) tendo liberdade para filmar o que quisesse, desde de que não estourasse o teto orçamentário de 150 mil dólares para cada uma das produções. Seguindo a linha do terror, Lewton convocou o até então desconhecido diretor francês Jacques Tourneur para o projeto de “Sangue de Pantera”. Juntos fizeram o incomum: com arrecadação de 2 milhões de dólares em bilheteria, o filme tornou-se o carro-chefe dentre as produções da RKO, garantindo a realização de novos projetos e a plena recuperação do estúdio a partir daquele momento.

"Cat People" (1942) - RKO Radio Pictures [us]

O segredo de tamanho êxito começa pela história. O ardiloso enredo de “Sangue de Pantera” acompanha o drama de Irena Dubrovna (Simone Simon), uma imigrante sérvia que acredita carregar um esconjuro maligno que desola por anos os seus antepassados. Aparentemente, a maldição não passa de uma absurda fábula de sua terra natal; esta conta que as mulheres do seu povoado se transformam em panteras quando confrontadas por um forte desejo lascivo ou quando ficam acanhadas pela intimidação de outras pessoas.

Irena vive em Nova York, onde trabalha como estilista. Em um gigantesco salto cronológico na trama (que transcorre rapidamente por alguns minutos na projeção) ela conhece o engenheiro naval Oliver Reed (Kent Smith), se apaixona, casa e já enfrenta as primeiras crises conjugais. O clima tenso no relacionamento surge justamente por Irena temer que, entregando-se ao marido, a maldição da pantera desperte e ela venha a lhe fazer algum mal. Com receio de que sua esposa piore, Oliver entra em contato com o psiquiatra Louis Judd (Tom Conway) pedindo que ele ajude Irena a superar os seus traumas.

Na contramão dessa situação, Oliver busca desafogar as suas aflições sendo consolado por Alice Moore (Jane Randolph), sua prestativa colega de trabalho e responsável, inclusive, pela recomendação dos serviços do Doutor Judd. Ciente de que os seus problemas não são mais segredo para ninguém, Irena, movida pela raiva e pelo ciúme, revela seu lado mais aberrante. Sofrendo de constantes delírios, ela acaba colocando em risco não só o seu casamento, mas também a vida das pessoas com quem se relaciona.

Jane Raldolph, Simone Simon e Kent Smith em "Cat People" (1942) - RKO Radio Pictures [us]

“Sangue de Pantera” possui um toque sutil de cinema noir, criando para si uma sugestiva mas não menos assustadora atmosfera de suspense. É intrigante observar também como é tênue a linha entre o real e o imaginário, uma vez que o filme é sustentado pela constante tensão em descobrir a verdadeira razão pela qual Irena está acometida a essa “maldição”. O mistério transita sempre pelo campo da fantasia (ou da irracionalidade), mas esperamos sempre que, em algum momento, um discurso científico apareça para explicar o fenômeno.

Com elenco reduzido (sem nenhuma grande estrela de Hollywood) e baixo orçamento, o filme de Tourneur tem na ideia inovadora de não respeitar a regra geral dos grandes clássicos do horror o trunfo para o seu sucesso. Nele não vemos grandes efeitos especiais e nem os truques de maquiagem que dão vida a criaturas monstruosamente caricatas que, de tão sinistras, já possuem uma natureza particular explicável e absolutamente compreensível (pelo menos no campo artístico).

O que assusta no filme é a ambiguidade do drama de Irena, o horror em saber que existe um distúrbio psicológico que a afeta uma vez que não vemos nenhuma evidência clara de uma suposta maldição. É um cataclisma fantástico da natureza humana em suspensão!

Aqui o “menos é mais” e, assim como a sua personagem principal, “Sangue de Pantera” é um filme belo, aterrorizante e tragicamente sedutor.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

Oscar 2015 | Palpites e Torcida

Foi um ano de bons filmes e, nunca antes na minha "carreira de cinéfilo cinemeiro", cheguei tão bem preparado para opinar sobre os filmes concorrentes em uma edição do Oscar. Tal preparo (animação) deve-se ao fato da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ter dado bastante espaço, destaque e protagonismo para produções independentes dessa vez. De todos os oito indicados a melhor filme, por exemplo, somente "Sniper Americano" de Clint Eastwood foi produzido por um grande estúdio de Hollywood.

A lista de excelentes filmes refletirá em uma premiação disputada nesse ano. "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" e "Boyhood: Da Infância à Juventude" disputam cabeça a cabeça as principais categorias da noite. São dois filmes excepcionais e que devem ser aplaudidos de pé pela ousadia de seus realizadores, cada um à sua maneira. Há alguns anos, os jurados da Academia vêm dividindo os principais prêmios (filme e direção) entre as duas melhores produções do ano. Esse ano não deve (e não pode!) ser diferente.

Pela primeira vez chego ao dia da cerimônia tendo assistido a todos os candidatos da categoria principal.

Dos filmes que concorrem aos prêmios principais (filme, diretor, atores, atrizes e roteiros) só me restou assistir "Vício Inerente" de Paul Thomas Anderson (candidato à estatueta de melhor roteiro adaptado) que ainda tem data de estreia muito distante no Brasil.

Dentre os candidatos a melhor filme em língua estrangeira, faltou apreciar "Timbuktu" da Mauritânia. Dirigido por Abderrahmane Sissako, o longa deve ser lançado somente em DVD por aqui.

A categoria de melhor filme de animação está bem equilibrada, muito provavelmente pela ausência de "Uma Aventura Lego" entre os concorrentes. Gostei muito de todos, embora ainda esteja em débito com "Song of the Sea".

A minha maior falta é com os documentários. Apesar de ter um favorito ("Citzenfour") e um longa para qual torcer ("O Sal da Terra"), assisti apenas dois dos cinco indicados: "A Fotografia Oculta de Vivian Maier" e "Virunga".

A cerimônia é logo mais, as 21:30 (horário de Brasília). Até lá é impossível assistir a tudo que está faltando, mas a promessa é que, a partir de amanhã, todas essas "falhas" serão corrigidas. Além dos filmes faltosos que citei acima, não poderão deixar de ser conferidos: "Invencível", "Last Days in Vietnam", "Mesmo se Nada der Certo" e "Sr. Turner".

Agora, sem mais delongas, vamos aos meus palpites e as minhas torcidas para a 87ª Edição do Academy Awards:

FILME

Palpite: "Boyhood: Da Infância à Juventude" (Richard Linklater e Cathleen Sutherland)

Torcida: "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" (Alejandro González Iñárritu, John Lesher e James W. Skotchdopole)

DIRETOR

Palpite: Alejandro González Iñárritu por "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)"

Torcida: Richard Linklater por "Boyhood: Da Infância à Juventude"

"Birdman" (2014) - New Regency Pictures [us] |M Prods [us] | Le Grisbi Productions [us]

ATRIZ

Palpite: Julianne Moore (Alice Howland) em "Para Sempre Alice"

Torcida: Julianne Moore

ATOR

Palpite: Eddie Redmayne (Stephen Hawking) em "A Teoria de Tudo"

Torcida: Michael Keaton (Riggan Thomson) em "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)"

ATRIZ COADJUVANTE

Palpite: Patricia Arquette (Olivia Evans) em "Boyhood: Da Infância à Juventude"

Torcida: Patricia Arquette

ATOR COADJUVANTE

Palpite: J. K. Simmons (Terence Fletcher) em "Whiplash: Em Busca da Perfeição"

Torcida: J. K. Simmons

Miles Teller e J. K. Simmons em "Whiplash" (2014)
Bold Films [us] | Blumhouse Productions [us] | Right of Way Films [us]

ROTEIRO ORIGINAL

Palpite: "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" (Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris e Armando Bo)

Torcida: "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)"

ROTEIRO ADAPTADO

Palpite: "O Jogo da Imitação" (Graham Moore)

Torcida: "Whiplash: Em Busca da Perfeição" (Damien Chazelle)

DIREÇÃO DE ARTE/DESIGN DE PRODUÇÃO

Palpite: "O Grande Hotel Budapeste" (Adam Stockhausen e Anna Pinnock)

Torcida: "O Grande Hotel Budapeste"

MONTAGEM/EDIÇÃO

Palpite: "Boyhood: Da Infância à Juventude" (Sandra Adair)

Torcida: "Whiplash: Em Busca da Perfeição" (Tom Cross)

FOTOGRAFIA

Palpite: "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" (Emmanuel Lubezki)

Torcida: "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)"

EFEITOS VISUAIS

Palpite: "Interestelar" (Paul J. Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter e Scott R. Fisher)

Torcida: "Planeta dos Macacos: O Confronto" (Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett e Erik Winquist)

MIXAGEM DE SOM

Palpite: "Sniper Americano" (John T. Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin)

Torcida: "Whiplash: Em Busca da Perfeição" (Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley)

EDIÇÃO DE SOM

Palpite: "Interestelar" (Richard King)

Torcida: "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" (Aaron Glascock e Martín Hernández)

CANÇÃO ORIGINAL

Palpite: "Glory" (Common e John Legend) de "Selma: Uma Luta Pela Igualdade"

Torcida: "I'm Not Gonna Miss You" (Glen Campbell e Julian Raymond) de "Glen Campbell: I'll Be Me"

TRILHA SONORA ORIGINAL

Palpite: "A Teoria de Tudo" por Jóhann Jóhannsson

Torcida: "O Grande Hotel Budapeste" por Alexandre Desplat

FIGURINO

Palpite: "O Grande Hotel Budapeste" (Milena Canonero)

Torcida: "O Grande Hotel Budapeste"

MAQUIAGEM E CABELO

Palpite: "Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo" (Bill Corso e Dennis Liddiard)

Torcida: "O Grande Hotel Budapeste" (Frances Hannon e Mark Coulier)

"The Grand Budapest Hotel" (2014) - Fox Searchlight Pictures [us] | American Empirical Pictures [us]

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

Palpite: "Leviatã" (Rússia) de Andrey Zvyagintsev

Torcida: "Relatos Selvagens" (Argentina) de Damián Szifrón

LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Palpite: "Como Treinar o Seu Dragão 2" de Dean DeBlois (Dean DeBlois e Bonnie Arnold)

Torcida: "O Conto da Princesa Kaguya" de Isao Takahata (Isao Takahata e Yoshiaki Nishimura)

CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Palpite: "The Bigger Picture" de Daisy Jacobs (Daisy Jacobs e Chris Hees)

Torcida: "The Dam Keeper" de Robert Kondo e Daisuke 'Dice' Tsutsumi (Robert Kondo e Daisuke 'Dice' Tsutsumi)

CURTA-METRAGEM

Palpite: "The Phone Call" de Mat Kirkby (Mat Kirkby e James Lucas)

Torcida: "Boogaloo and Graham" de Michael Lennox (Michael Lennox e Ronan Blaney)

DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM

Palpite: "Citizenfour" de Laura Poitras (Laura Poitras, Mathilde Bonnefoy e Dirk Wilutzky)

Torcida: "O Sal da Terra" de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado (Wim Wenders, Juliano Ribeiro Salgado e David Rosier)

DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

Palpite: "Crisis Hotline: Veterans Press 1" de Ellen Goosenberg Kent (Ellen Goosenberg Kent e Dana Perry)

Torcida: "Nasza Klatwa" de Tomasz Sliwinski (Tomasz Sliwinski e Maciej Slesicki)

Deixe aqui suas impressões e também os seus palpites ou os seus preferidos.

O Oscar não é AQUELE Festival de Cinema, mas é sempre um bom programa para um domingo à noite uma vez por ano.

Bom divertimento!

"Boyhood" (2014) - IFC Productions [us] | Detour Filmproduction [us]

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sempre um Clássico #2 | Sob o Domínio do Mal (1962)



(The Manchurian Candidate, Estados Unidos, 1962). Dirigido por John Frankenheimer e baseado no romance homônimo de Richard Condon. Elenco: Frank Sinatra, Laurence Harvey, Angela Lansbury, Janet Leigh, James Gregory, Leslie Parrish, John McGiver, Henry Silva.

Um drama psicológico funciona quando vem carregado de muito suspense e o clima de tensão não deixa o espectador respirar durante a projeção. Porém, quando a história está mal amarrada e o roteiro não a sustenta adequadamente, o filme acaba indo na contramão dessas distinções e torna-se desinteressante, causando estranheza para o público.

Por esse motivo, “Sob o Domínio do Mal” foi um fracasso de bilheteria à época de seu lançamento e ficou esquecida por quase trinta anos até o seu relançamento nos cinemas, em 1988. O longa ganhou notoriedade e foi aclamado como um “clássico cult” ao longo dos anos, justamente pelas lacunas presentes na trama, conferindo a ele o mesmo caráter paranoico que pairava pelo mundo no longo período da Guerra Fria.

Em 1953, o Major Bennett Marco (Frank Sinatra) retorna com seu destacamento da Guerra da Coreia. Um de seus comandados, o sargento Raymond Shaw (Laurence Harvey), é agraciado com uma medalha de honra por um ato de bravura. Entretanto, o Major Marco e outro soldado do seu pelotão começam a ter pesadelos terríveis sobre os acontecimentos da guerra, partilhando memórias obscuras sobre o que de fato aconteceu com o grupo e o que realmente está por trás da condecoração de Shaw.

Frank Sinatra (Major Bennett Marco) em "The Manchurian Candidate"
M. C. Productions | Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) [us]

A incerteza sobre a atitude intrépida de Shaw no campo de batalha faz com que Marco comece a investigá-lo e uma série de segredos espantosos começam a ser revelados. O major chegou à conclusão de que todos os seus homens foram contidos pelos comunistas e, posteriormente, submetidos a uma lavagem cerebral. Descobriu ainda que o seu “destemido” sargento foi, na verdade, programado para ser um fantoche dos inimigos, se transformando em um frio assassino político.

O destaque fica por conta da excelente atuação de Angela Lansbury, que interpreta Eleanor Shaw Iselin, a mãe demasiadamente protetora de Raymond. Casada com o reacionário senador John Iselin (James Gregory), Eleanor está misteriosamente envolvida com a “desumanização” de seu filho. O filme acaba deixando dúvidas (propositalmente?) sobre a sua real relação com os responsáveis desse controle mental, mas demonstra que ela soube tirar proveito da situação para alimentar a sua subversão ultraconservadora e conquistar os seus objetivos junto aos do marido no campo político estadunidense.

Contatado por seus controladores ou por sua mãe através de um código secreto, Raymond Shaw se transforma em uma máquina de matar, incapaz de se sentir culpado ou até mesmo de se lembrar dos delitos cometidos. A essa altura, somente o Major Bennett Marco pode livrá-lo dessa aterradora apatia.

Angela Lansbury (Eleanor Shaw Iselin) e Laurence Harvey (Raymond Shaw) em "The Manchuirian Candidate" (1962)
M. C. Productions | Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) [us]

Um filme interessante, sobretudo se valorizarmos a ousadia do diretor John Frankenheimer ao levar essa temática para as telas em um período de desconfiança máxima. Seu tom irônico e politicamente incorreto acaba, de alguma forma, prenunciando todas as conspirações políticas que os Estados Unidos iriam encarar ao longo dos anos. Para ficar somente em um exemplo, basta lembrar que em 1963 (apenas um ano após o lançamento de “Sob o Domínio do Mal”) o presidente John F. Kennedy foi assassinado com um tiro na cabeça. Na ocasião correram boatos de que o principal suspeito do atentado, Lee Harvey Oswald, fora submetido a uma lavagem cerebral para cometer o crime.

Coincidente ou não, conspiratório ou não, é um filme válido. Vai muito além do pragmatismo da paranoia anticomunista e explora de maneira audaz a psicopolítica soviética.